“Santa Catarina produz numa velocidade que Brasília não acompanha”
Carol De Toni, de 39 anos, é filiada ao PL e foi eleita, em 2022, como a deputada federal mais votada do estado. É advogada e um dos principais nomes da direita conservadora. Formou a carreira política no Oeste catarinense.
Somente nos primeiros 18 dias de campanha, conseguiu arrecadar mais do que o limite de gastos permitido pela Justiça Eleitoral.
Atualmente exerce a presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados e é pré-candidata ao Senado Federal por Santa Catarina.
*Até o fechamento da coluna não conseguimos retorno da assessoria do candidato Carlos Bolsonaro.
Pelo Estado – A senhora defende a redução da carga tributária. Como senadora, qual imposto pretende priorizar para redução e como compensaria a eventual perda de arrecadação para União, estados e municípios?
Carol De Toni – Minha prioridade é aliviar quem trabalha e produz, e eu começaria pelo Imposto de Renda da pessoa física, ampliando a faixa de isenção e corrigindo de forma mais justa a tabela. Não faz sentido o governo aumentar a arrecadação simplesmente porque o salário nominal do trabalhador subiu enquanto o poder de compra dele diminuiu.
Mas reduzir imposto exige responsabilidade. Eu não defendo criar um rombo para tapar com outro imposto depois. A compensação precisa vir primeiro do lado do Estado: cortar desperdícios, combater fraudes, revisar gastos ineficientes e fazer a economia crescer, uma reforma administrativa, para enxugar a estrutura da máquina pública e deixá-la mais eficiente é um caminho para isso, e eu pretendo apoiar uma reforma responsável e equilibrada.
Eu tenho uma visão muito simples: antes de Brasília pedir mais dinheiro para o brasileiro, precisa explicar melhor o que está fazendo com o dinheiro que já recebe. E qualquer mudança precisa preservar estados e municípios, porque é lá que o cidadão precisa de saúde, escola, segurança e infraestrutura.
Pelo Estado – Santa Catarina tem problemas históricos de infraestrutura, especialmente nas rodovias e portos. Qual seria sua primeira prioridade para o Estado no Senado e que recursos concretos pretende buscar em Brasília?
Carol De Toni – Se eu tiver que apontar uma prioridade, é destravar os grandes corredores logísticos de Santa Catarina, começando pelas rodovias que ligam o Oeste aos portos e ao litoral, especialmente a BR-282 e a BR-163, sem esquecer os gargalos da BR-101 e dos acessos portuários.
Santa Catarina produz numa velocidade que Brasília não acompanha. Nosso produtor, nossa indústria e nosso transportador não podem continuar pagando a conta de estrada ruim, obra parada e acesso congestionado.
Como deputada, já destinei mais de R$ 93 milhões para infraestrutura no estado. No Senado, quero usar um peso político ainda maior para garantir recursos no Orçamento da União, articular a bancada catarinense, cobrar o DNIT, acompanhar contratos e concessões e pressionar para que obra anunciada vire obra entregue.
Não quero apenas buscar dinheiro. Quero acompanhar a execução. Porque recurso parado em Brasília ou obra que nunca termina não resolve a vida de ninguém.
Pelo Estado – A senhora defende limitar decisões monocráticas e o ativismo judicial. Até onde o Senado deve ir para fiscalizar o STF sem colocar em risco a independência entre os Poderes?
Carol De Toni – Até onde a Constituição permite — nem um centímetro a menos e nem um centímetro a mais.
Eu não defendo um Senado interferindo no conteúdo de uma decisão judicial porque não gostou do resultado. Mas também não aceito a ideia de que independência entre os Poderes significa ausência de limites.
O Senado tem responsabilidades constitucionais muito claras: sabatinar ministros do Supremo com seriedade, discutir regras para decisões monocráticas, legislar quando houver necessidade de restabelecer segurança jurídica e exercer os mecanismos de responsabilização previstos na própria Constituição quando houver fundamento para isso.
Eu já trabalhei na Câmara por mais equilíbrio entre os Poderes e quero continuar esse trabalho no Senado.
Não quero um Congresso acima do Supremo e não quero um Supremo acima do Congresso. Quero a Constituição acima de todos.
Pelo Estado – A senhora foi a deputada federal mais votada de Santa Catarina em 2022 e agora disputa uma das duas vagas ao Senado. O que pretende fazer no Senado que não conseguiu realizar como deputada e que será uma marca especificamente catarinense do seu mandato?
Carol De Toni – A Câmara me deu a oportunidade de apresentar projetos, votar grandes pautas, presidir a CCJ e defender Santa Catarina em alguns dos debates mais importantes do país. Mas o Senado possui atribuições que a Câmara simplesmente não tem.
É o Senado que sabatina ministros do STF, que possui responsabilidades específicas na fiscalização das instituições e que tem um peso decisivo no equilíbrio entre os Poderes. Quero levar para lá a mesma coragem que tive na Câmara.
E quero que meu mandato tenha uma marca muito catarinense: fazer Brasília respeitar quem trabalha, produz e sustenta este país.
Isso passa por infraestrutura, pelo agro, pela indústria, pela segurança, pela defesa da propriedade e por um pacto federativo mais justo. Santa Catarina arrecada muito, produz muito e entrega muito ao Brasil. Precisa receber de volta infraestrutura e serviços compatíveis com aquilo que oferece ao país.
Eu não estou buscando o Senado como prêmio ou como ponto de chegada. Quero o Senado porque existem batalhas que só podem ser enfrentadas de lá.
Trabalho eu já mostrei. Coragem nunca faltou. Agora quero colocar essa experiência a serviço de Santa Catarina no Senado.

