Há tempos vimos nos deparando com notícias deste gênero: “geada que atingiu a serra catarinense vai afetar a qualidade e a quantidade das próximas safras de frutas em Santa Catarina”.
Sejam chuvas de granizo, vendavais, geadas ou quaisquer outros fenômenos climáticos capazes de destruir total ou parcialmente as plantações, o fato é que ainda convivemos com situações catastróficas que poderiam ser evitadas.
Eis o ‘x’ da questão: pertencemos ao que podemos chamar de ‘cultura da reação’. Acostumamo-nos a agir sempre depois que o problema já ocorreu, a intervir nas consequências e não nas causas. A expressão ‘apagar incêndio’ virou metáfora que ilustra muito bem este tipo distorcido de postura.
Também no âmbito da saúde adotamos comportamento semelhante, tanto que os investimentos em prevenção são insignificantes perto dos gastos com tratamentos. Fala-se na poderosa indústria da doença e seus lucros exorbitantes, mas a grande maioria das doenças têm causa evitável e pode ser prevenida.
Em alguns aspectos, a agricultura também sofre pela falta de tecnologias preventivas. Sou membro da Frente Parlamentar em Defesa da Agricultura há 16 anos e afirmo com conhecimento de causa: temos sido reféns do clima e pouco se caminhou em termos de avanço tecnológico no que se refere à prevenção de danos causados pelas intempéries.
Vale destacar aqui a excepcional atuação da Epagri/Ciram, inclusive na redução do impacto dos fenômenos climáticos sobre diversos cultivares. Especificamente na área da fruticultura, o órgão desenvolve e difunde técnicas de manejo, entre elas a pulverização das frutas com aminoácidos ou açúcar – em caso de geadas de baixa intensidade, este procedimento pode evitar que frutas como a maçã e a ameixa, por exemplo, sejam danificadas.
Já eventos severos requerem outros níveis de intervenção, e aqui novamente defendo o uso de telas redutoras de risco agroclimático como estiagem, excesso hídrico, granizo, queda brusca de temperatura ou insolação excessiva. Insisto na atitude preventiva como medida crucial para a sustentabilidade da agricultura em Santa Catarina e em todo o Brasil.
Recentemente apresentei um projeto de lei que viabiliza a cobertura das plantações com telas redutoras de risco agroclimático, já em trâmite e aprovado na primeira votação pela Câmara de Deputados.
Milhares de agricultores serão beneficiados com subsídios governamentais destinados à aquisição e instalação das telas e toneladas de alimento serão preservadas. Aí sim vou vestir minha camisa verde e amarela e sair pelos campos, como torcedor que sou deste gigante Brasil.

