segunda-feira, 13 abril , 2026

Plano de prevenção está engavetado há 33 anos

Tubarão

Todo o projeto executivo do plano de prevenção de cheias do Rio Tubarão, elaborado pelo extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento (Dnos), está abandonado desde 1978. Os documentos só não foram para o lixo porque o engenheiro civil André Labanowski viu a pilha de papéis em um corredor do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) e resgatou o material.

O órgão arquivou apenas um projeto completo de cada trabalho. O restante seria descartado como lixo. Todo o material, que prevê a construção de três barragens na região e retificação do rio, foi doado ontem por Labanowski para a Associação Regional de Engenheiros e Arquitetos  de Tubarão (Area-TB).

Coordenador de barragens em Concórdia, no oeste catarinense, Labanowski mostra-se preocupado com o esquecimento dos projetos da região de Tubarão e o assoreamento do rio. Dos originais seis metros de profundidade, o manancial tem, atualmente, apenas quatro metros.

“A capacidade de vazão do Rio Tubarão era de 2,1 mil metros cúbicos. Hoje, caiu para 1,4 mil metros. O percentual de perda chega a quase 40%. Com problemas na barra do Camacho, em Jaguaruna, o escoamento das águas torna-se muito lento. Com esta vazão, se ocorrer a mesma densidade de volume de água de 1974, os estragos serão muito superiores”, alerta o engenheiro.

Seminário da enchente de 1974
O engenheiro civil André Labanowski participou ontem pela manhã de uma mesa redonda sobre o Rio Tubarão e Bacia Hidrográfica com vistas à sua participação e da entidade no Seminário dos 37 anos da enchente de 1974. O evento ocorre este mês na Cidade Azul.

O projeto
O projeto contém quatro itens bem detalhados sobre a previsão de construção de três barragens para contenção de cheias: uma em Pedras Grandes, outra acima de Armazém e também em Braço do Norte, além da retificação e dragagem do Rio Tubarão até Laguna.

Destes quatro itens, apenas a retificação e dragagem foram executados pelo Dnos. O conjunto das três barragens teria um custo dez vezes maior que a retificação. Em moeda atual, os valores estimados giram em torno de R$ 200 a R$ 300 milhões cada uma delas.

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