Início Geral Plenário da Câmara dos Deputados rejeita PEC do voto impresso

Plenário da Câmara dos Deputados rejeita PEC do voto impresso

Plenário da Câmara dos Deputados rejeita PEC do voto impresso
Foto: Câmara Federal

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso foi rejeitada por 218 votos contrários, 229 a favor e uma abstenção, nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados. Para ir ao Senado, a PEC 135/2019 precisava alcançar ao menos 308 votos favoráveis em dois turnos. Por não atingir essa meta, ela será arquivada e não haverá novas votações.

Essa foi a segunda reprovação do texto, que não foi acatado pela comissão especial da Câmara, por 23 votos contra a 11, na última quinta-feira. Mesmo assim, a proposta foi encaminhada ao plenário pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

A PEC, com autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF), determinava a impressão de “cédulas físicas conferíveis pelo eleitor” independentemente do meio empregado para o registro dos votos em eleições, plebiscitos e referendos. Ao fim da votação desta noite, Lira afirmou: “A democracia do Plenário deu a resposta. Espero que esse tema, na Câmara, esteja encerrado”.

Mesmo com a rejeição na comissão especial na semana passada, Lira defendeu submeter a proposta a todos os deputados federais para que ficasse claro o posicionamento da Câmara dos Deputados em relação ao tema. Ele chegou a dizer, na última sexta-feira, que caberia aos deputados, “eleitos pela urna eletrônica”, a decisão se seria ou não necessária a inclusão de uma impressora ao sistema de voto. No transcorrer da sessão, o presidente da Câmara pediu calma aos votantes e garantiu que a votação não definiria vencedores ou vencidos.

Durante a manhã desta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro acompanhou um desfile de tanques militares em frente da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O evento foi marcado, segundo os organizadores, antes de entrar na pauta da Câmara a votação da PEC do voto impresso, mas foi lida pela oposição ao presidente como uma ameaça à democracia.

Ao chegar ao Congresso nesta terça, Lira disse que Bolsonaro se comprometeu a aceitar o resultado da votação na Câmara dos Deputados.

Crise institucional entre Poderes
O texto da PEC foi motivo de uma crise institucional entre o presidente Jair Bolsonaro e o Poder Judiciário, com atritos sobretudo em relação ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, que tem sido atacado pessoalmente por Bolsonaro e aliados. O presidente da República tem reiterado que, sem o voto impresso, as eleições de 2022 não serão reconhecidas como legítimas e podem nem sequer acontecer.

O ministro Barroso é um dos defensores da urna eletrônica. Ele afirma que não há nenhum indício de fraude nos mais de 20 anos de sua utilização no país. Diz ser um retrocesso o uso do voto impresso, aponta o alto custo – estimado em R$ 2,5 bilhões – e o risco de fraude no uso do voto em papel.

Já de acordo com Bolsonaro, o ministro é culpado de “apavorar” os líderes de partido para derrubar a proposta de acoplar impressoras nas urnas eletrônicas. “Tem parlamentar que deve alguma coisa na Justiça, deve no Supremo. Então, o Barroso apavorou. Ele foi para dentro do Parlamento praticamente exigindo que o Congresso não aprovasse o voto impresso.”

Em diversas ocasiões, Bolsonaro fez denúncias sobre supostas fraudes nas eleições de 2018, sempre dizendo em seguida que não poderia prová-las ou que eram apenas suposições.

Mobilização entre partidos para rejeição da PEC
A mobilização para a rejeição da PEC do voto impresso contou com a articulação de partidos. O PSDB, que chegou a ser defensor da medida, decidiu fechar questão contra o texto. Ou seja, o deputado tucano que decidir votar favorável pode sofrer punição do partido. Outras legendas, como DEM e Solidariedade, optaram pelo mesmo caminho.

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