terça-feira, 17 fevereiro , 2026

Podemos e devemos melhorar

No primeiro ano de funcionamento da Lei N° 3.289/09 – que instituiu a data de 24 de março como o Dia da Memória da Catástrofe de 74 e de intensificação das formas de prevenção e reação eficiente a outros possíveis desastres naturais, – fomos bem, mas podemos e devemos melhorar. Nesse dia, muitas escolas trabalharam a temática com os alunos e, às 15 horas, durante um minuto, os sinos de várias igrejas de Tubarão soaram compassadamente, lojas baixaram as portas, o trânsito parou totalmente em alguns semáforos e fez silêncio.

Está previsto na Lei (artigos 2°, 3° e 5°) relembrar aquela catástrofe – a maior do Brasil em número de vítimas (199) – e sensibilizar os tubaronenses, principalmente os que não a vivenciaram, a atender os chamados da Defesa Civil para treinamentos que, somados a variadas ações, minimizarão os efeitos de outra inundação, possível pelo fenômeno da recorrência. O terremoto do Chile, para tomar como exemplo, foi muito mais intenso que o do Haiti (8,8° e 7° da escala Richter, respectivamente), mas provocou menos mortes. Quase mil contra cerca de 250 mil.

A diferença está na prevenção. Os chilenos sabem o que fazer nestes casos e as suas construções suportam determinados impactos. Nosso objetivo é alcançar idêntico nível de preparação aos tubaronenses. O seminário ocorrido nesse mesmo dia – o quarto desde março do ano passado – abordou os demais aspectos da memória, da prevenção e da reação eficiente. Ouviram-se os relatos do piloto Clóvis Pozza, atuante no resgate das vítimas de 74 e do padre Raimundo Ghizoni que, como tantas outras pessoas, socorreram os desabrigados. Também foram exibidas fotografias das marcas ainda existentes e dos marcos daquela tragédia, que podem servir de roteiros para visitas e estudos.

Apresentaram-se as ações da Defesa Civil de Tubarão (monitoramento e divulgação das previsões meteorológicas da Epagri/Ciran e capacitação dos escolares). Discutiu-se ainda a próxima etapa da redragagem do rio Tubarão, cujo projeto, resultante da batimetria que apontou 42% de assoreamento, foi entregue pelo governo do estado ao poder executivo em dezembro do ano passado.

As áreas de bota-fora já estão resolvidas, faltam as licenças ambientais (para as quais o estado é parceiro), indispensáveis para alavancar os R$ 80 milhões para desassoreá-lo totalmente, ou R$ 20 milhões para as áreas críticas. O Núcleo de Pesquisas sobre Desastres Naturais da Unisul apresentou o mapa de risco geotécnico de Tubarão e as formas de não assoreá-lo. Decidiu-se solicitar ao Ministério Público um Termo de Ajuste de Conduta, a fim de conter invasões que se tornam, inevitavelmente, áreas de risco. A Area-TB discorreu sobre as novas formas de monitorar o rio por meio de sensores que medem o nível das águas e transmitem via internet.

Para o próximo ano, buscaremos maior adesão das escolas, dos lojistas e dos tubaronense. No dia 6 de julho deste ano, cobraremos nova prestação de contas sobre as formas de prevenção de patrimônios públicos e privados e, principalmente, de vidas. Participe, cobre e contribua.

Subescrevem:
Thomaz Londero Moojen – Presidente da Area-TB.
José Luiz Tancredo – Coordenador da Defesa Civil de Tubarão.

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