Caro amigo leitor, você até poderá surpreender-se com o conteúdo deste texto, mas entenderá um pouquinho do surrealismo que ocorre seguidamente na vida, sem que talvez haja a percepção dos atos. Para começar é bom ilustrar dois pontos que se pode classificar como essenciais no cotidiano de cada um de nós: os extremos superior e inferior. Assim como eu, acho que você gostaria também de saber exatamente a causa do efeito de tais enigmas da influência de ter, privilégio de poucos, e do não possuir (suditamente), prejuízo de muitos.
Desde que o mundo é mundo sempre existiu isto e não seria com o passar dos tempos que, de fato, a transformação, a equidade entre as pessoas viria. Puro egocentrismo de uma minoria, é óbvio. A fraqueza que está em boa parte do povo não é um mal de nascença, mas sim um movimento cultural. É como se fôssemos adestrados desde pequenos para sermos fracos e impotentes diante dos sistemas vigentes. Aprendemos a acreditar na fragilidade do indivíduo diante do estado, da família e do poder dominante. Enfim, somos ensinados a sermos dóceis como animais domesticáveis.
É a subserviência inculcada no indivíduo desde o berço, conceito que precisa ser mudado urgentemente. A vista de tantas situações, percebe-se que este tipo de mecanismo sociológico, que não é nada salutar para ninguém, tende a suplantar ainda mais este infindável poder, e ter uma minoria em detrimento de milhares de pessoas que se esforçam para sobreviver no espaço estreito desta arraigada sociedade alternativa. Não precisa ser nenhum catedrático ou estudioso no assunto para saber que existe uma enorme disparidade entre a opulência e a mendicância, basta ver a realidade entre ambas as categorias.
São claras as evidências que passaremos por provações, sob os olhares patéticos e impiedosos dos grupos humanos desencaminhados e destroçados. Já estamos em transe. Todavia, em um futuro bem próximo, haverá uma maior insatisfação, ou melhor, uma grande explosão do conjunto de pessoas que aqui habita. Todos veem, mas ninguém enxerga que o vulcão está quase em erupção. Aí, quando ocorrer, dificilmente as lavas humanas já incandescentes serão extintas.
Um exemplo nada animador diz respeito ao barril de pólvora que está a nossa volta. O sistema prisional brasileiro, além de esquisito, é ineficiente e não consegue restringir o domínio dos perigosos bandidos fora e dentro da carceragem. Uma verdadeira miscelânea de gente vestida de lobo com pele de cordeiro. Para desespero daqueles que ainda tentam viver em harmonia, não existe mais grupo de risco, todos estão no mesmo barco. Se não houver, daqui para frente, extremo cuidado no trato da coisa pública, o naufrágio será iminente. Mas, ainda podemos reverter este nebuloso quadro social.
A igreja católica, de forma brilhante, aborda um valioso tema ecumênico na campanha da fraternidade deste ano, Economia e Vida, que alerta, sobretudo, que na história humana, marcada por ambições, explorações, injustiças e ganância, a Bíblia se volta decididamente para a defesa dos pobres. Que este tema inerente não seja lembrado apenas nesta época, mas de maneira contínua na mente de todos nós. Entendo que na vida é preferível servir a ser servido. Afinal, vivemos para ser e fazer feliz.

