sábado, 30 maio , 2026

Polilaminina: conheça tudo sobre a molécula que pode transformar o tratamento da lesão medular

A polilaminina para lesão medular tem sido apontada como uma das pesquisas brasileiras mais promissoras na área da regeneração nervosa. Desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a substância está em fase inicial de testes clínicos autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Embora ainda não seja um tratamento aprovado, os resultados preliminares despertaram interesse de médicos, pesquisadores e pacientes com paraplegia ou tetraplegia. A seguir, você entende o que é a polilaminina, como funciona e quais são os próximos passos.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é uma versão modificada da laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano, especialmente na placenta.

Em laboratório, pesquisadores criaram um complexo dessas moléculas capaz de formar uma estrutura semelhante a uma rede. Essa estrutura funcionaria como um suporte biológico para estimular o crescimento de axônios — partes dos neurônios que são rompidas quando ocorre uma lesão medular.

O objetivo é favorecer a regeneração das conexões nervosas interrompidas após o trauma.

Como a polilaminina atua na lesão medular?

Quando a medula espinhal sofre uma lesão grave, os axônios são danificados e o ambiente ao redor se torna hostil à regeneração. Hoje, não existe tratamento capaz de restaurar totalmente os movimentos em casos de lesão completa.

A proposta da polilaminina para lesão medular é criar um “andaime” biológico no local da lesão. Esse suporte poderia orientar o crescimento dos axônios e facilitar a reconexão dos circuitos nervosos.

Segundo os pesquisadores, o tratamento é aplicado diretamente na medula durante cirurgia, geralmente nas primeiras horas após o acidente. A reabilitação intensiva continua sendo parte essencial do processo.

Quais são os resultados até agora?

Em estudo preliminar conduzido pela UFRJ em parceria com a farmacêutica Cristália, oito pacientes com lesão medular completa receberam a aplicação experimental.

Dos seis que foram acompanhados após o procedimento, todos apresentaram algum grau de recuperação motora. O percentual de melhora relatado foi de 75%, número superior ao observado em dados históricos semelhantes.

No entanto, os dados foram divulgados como pré-print e ainda não passaram por revisão independente de especialistas. Isso significa que os resultados precisam ser confirmados em estudos maiores e mais rigorosos.

Em que fase estão os testes clínicos?

A polilaminina para lesão medular recebeu autorização da Anvisa para iniciar a fase 1 de estudos clínicos.

Essa etapa avalia principalmente a segurança do tratamento em um pequeno grupo de pacientes. Se os resultados forem considerados satisfatórios, o medicamento poderá avançar para:

  • Fase 2: análise de eficácia em grupo maior.

  • Fase 3: confirmação de segurança e benefício clínico em larga escala.

Somente após a conclusão dessas etapas será possível solicitar o registro definitivo para uso comercial.

Por que o uso por liminar gera debate?

Mesmo sem aprovação definitiva, alguns pacientes têm conseguido acesso ao tratamento por meio de decisões judiciais.

Especialistas alertam que o uso fora de protocolos oficiais pode comprometer a coleta de dados científicos e dificultar a avaliação real de riscos e benefícios.

Por outro lado, familiares de pacientes com lesões graves argumentam que as opções terapêuticas atuais são limitadas, o que aumenta a busca por alternativas experimentais.

O que pode mudar no futuro?

Se os estudos confirmarem a eficácia e segurança da polilaminina para lesão medular, o Brasil poderá ter o primeiro tratamento capaz de estimular regeneração nervosa em casos considerados irreversíveis.

Ainda é cedo para afirmar que haverá cura para a paralisia. Porém, a pesquisa reacende a discussão sobre novas abordagens em medicina regenerativa e coloca a ciência brasileira em destaque nesse campo.

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