A ponte Anita Garibaldi significa mais que uma homenagem à heroína dos dois mundos. Além de belíssimo cartão postal e, muito mais que a maior ponte estaiada em curva do Brasil, significa, sobretudo, o início da redenção econômica e social da região sul de Santa Catarina.
Ainda, para que se tenha clareza, “estaiada” é a ponte suspensa por cabos, constituída de um ou mais mastros, de onde partem cabos de sustentação para os tabuleiros da ponte – solução intermediária ideal entre uma ponte fixa e uma pênsil.
Inicia-se a redenção, porque muitos empreendimentos deixaram de vir para cá e tantos outros se expandiram ou se transferiram daqui para outras regiões, devido à perda de tempo, de prazos, de compromissos, de dinheiro e de vidas. O trecho Tubarão-Laguna, que pode ser percorrido em 20 minutos, demorava até quatro horas, principalmente no verão.
A demora no término da duplicação da BR-101 (com perda de R$ 32,7 bilhões segundo estudos da Unisul), dos voos regulares no aeroporto de Jaguaruna e dos investimentos nos portos de Imbituba e Laguna compõem o quadro que afugentava investidores, turistas e ceifava vidas.
O sul do estado estava praticamente isolado por terra, mar e ar. A região de Tubarão, especialmente, com o complexo termal e proximidade do mar e da serra, constituiu-se num paraíso natural, de difícil acesso.
Segundo o Instituto Jordam, o crescimento no trecho norte de Santa Catarina – de Palhoça a Joinville – nos últimos dez anos – foi de 470%. No trecho sul – de Palhoça a Araranguá, do qual Tubarão faz parte, foi, no mesmo período, de apenas 200%, devido, principalmente, à precaríssima logística.
No mencionado trecho norte, não houve demora para a duplicação da mesma rodovia, nem nos investimentos nos portos de Itajaí, São Francisco e Itapoá e nos aeroportos de Joinville e Navegantes.
Em razão disso e, para ficar apenas num exemplo, Araquari recebeu a fábrica da BMW com três mil empregos e receitas provenientes de impostos. Enquanto no trecho sul, enfatiza-se, empresas desistiram de se instalar e outras migraram ou se expandiram para outras regiões.
Ainda, no tocante ao trecho sul, a região de Tubarão é a mais pobre, como demonstram estudos das consultorias Urban Systems (os 13 municípios catarinense melhores para investir estão entre Palhoça e o norte do estado) e Deloitte (das19 empresas catarinenses que mais crescem, somente uma é de Içara e outra de Criciúma).
A duplicação da BR-101, muito próxima da conclusão, e a decolagem do Aeroporto Regional de Jaguaruna resultaram dos esforços dos que acreditaram e fizeram o que tinha que ser feito, mesmo quando tudo parecia distante e impossível. Idêntico esforço precisa ser feito com a Ferrovia, com os portos de Laguna e de Imbituba, qualificação de mão de obra, áreas industriais e preventivos de segurança, para que a região se desenvolva sem perder o sossego. Aliás, sustentabilidade compreende: prosperidade, planeta e pessoas.

