terça-feira, 14 abril , 2026

Por que guardamos a vida pra depois?

Ontem acordei animadíssima para o café da manhã — afinal, não é todo dia que a gente toma café em hotel, com direito a pães e bolos que nunca vemos em casa e sucos de frutas que nem sabíamos que existiam.

Escolhi uma calça amarela que estava há tempos guardada no meu armário. Era especial: eu tinha gravado um comercial com ela e me achado simplesmente deslumbrante.

Por isso mesmo, ficou guardada, reservada, protegida… praticamente vivendo numa redoma emocional, para não “estragar”.

Pois bem: lá fui eu, desfilando pelo salão do café enquanto experimentava as novidades da culinária da serra gaúcha. Eu, plena. Minha calça, aparentemente plena. A vida, perfeita.

Continuei assim, feliz e alheia ao universo — até chegar ao quarto, ficar diante do espelho e encarar a tragédia anunciada.

O cós da minha calça estava totalmente craquelado. Levei um susto! Tinha usado aquela calça linnnnnnnnnnnnda apenas duas vezes. Sabe aquela roupa que a gente guarda para “um passeio especial”? Então. Era ela.

Coloquei a mão no cós e os pedacinhos começaram a se soltar, grudando nos meus dedos como se dissessem: “Surpresa, querida!” Fui olhando para o resto da calça e os craquelados só pioravam. Mas nada, absolutamente nada, se comparava aos cortes e falhas nas costuras internas das pernas.

Foi então que percebi: enquanto eu desfilava no salão do café, minha calça se desintegrava discretamente.

Impossível não imaginar os pedacinhos de falso couro caindo atrás de mim, rindo da minha falta de atenção.

A calça, que era amarela mostarda, estava completamente branca entre as pernas — parecia até que tinha vivido uma tempestade de neve só naquela região específica. Olhei para meu marido, atônita, e ele perguntou o que eu poderia fazer para mudar aquela situação. A resposta veio clara: nada.

Com um misto de dó e raiva, tirei a calça, dobrei e coloquei no lixo. Sem cerimônia. Sem despedida. Passei pela portaria sem coragem de olhar para o salão do café — não queria nem imaginar pedacinhos de falso couro dançando ao sabor da brisa gelada que entrava pela porta.

No caminho de volta, fiquei pensando em quantas coisas guardamos para usar “depois”. Nas economias que fazemos para “um dia”. Na vida que passa enquanto a gente preserva demais, espera demais, adia demais.

Sim, eu fui criada no tempo em que minha mãe estabelecia as roupas de ficar em casa, de dar voltinhas, de ir à missa e a roupa especial de passear. Mudei muito desde então, mas esse episódio deixou mais uma marca — dessa vez não foi na costura das pernas — e sim na minha cabeça:
a vida é muito curta para deixar guardado aquilo que queremos usar, fazer ou viver.

Nos vemos nas próximas linhas

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