Rafael Andrade
Tubarão
O agente prisional Fabrício Buss de Medeiros, ex-diretor do Presídio Regional de Tubarão, foi afastado do cargo ontem. Durante o fim de semana, 14 agentes penitenciários prepararam um abaixoassinado pedindo o afastamento imediato de Fabrício de suas funções na unidade tubaronense.
O documento foi direcionado ao diretor da unidade, Décio Paquelin, que acatou a solicitação e deslocou-se ao Departamento de Administração Prisional (Deap) para entregar o pedido dos agentes. “Fabrício já foi afastado hoje (ontem) de manhã, quando chegou para trabalhar. Não tinha clima entre ele, os detentos e os outros agentes. Acredito que foi tomada a melhor medida”, avalia Paquelin.
Segundo o agente afastado, ele teria ido embora não por causa do abaixoassinado, e sim porque havia um corregedor no presídio que veio de Florianópolis para tomar mais depoimentos no caso que o afastou da gerência (ele e dois agentes foram detidos em Imbituba). “Não recebi nada oficial. Ainda sou funcionário do presídio de Tubarão”, garante Fabrício.
Alexandro Brum, diretor do Deap, recebeu o abaixoassinado das mãos de Paquelin. Ele acatou a decisão dos colegas e vai oficializar, ainda hoje, o afastamento definitivo de Fabrício da unidade penal tubaronense e transferi-lo para outra da região. “Conversamos com Brum e foram avaliados alguns locais que Fabrício possa trabalhar com mais tranquilidade e até mesmo para prevenir a sua segurança. É muito provável que ele comece a atuar já nesta sexta-feira na Unidade Prisional Avançada (UPA) de Laguna. As duas unidades prisionais de Criciúma também foram cogitadas”, explica Paquelin.
Lembre do caso
Este abaixoassinado foi formalizado depois que o ex-diretor do Presídio Regional de Tubarão, Fabrício Buss de Medeiros, retornou a trabalhar na instituição, no início de março. Antes disso, ele ficou quase 60 dias afastado. Ele foi substituído pelo também ex-diretor, Ricardo Welausen, que ficou pouco mais de 40 dias na administração.
O seu afastamento foi necessário após ser aberto um inquérito da Polícia Civil de Imbituba e uma sindicância da corregedoria do Departamento de Administração Prisional (Deap). Fabrício e outros dois agentes são investigados por supostamente terem utilizado viatura pública na praia do Rosa, em Imbituba, para fins não trabalhistas. Fabrício não estava com o grupo, mas tinha autorizado que dois agentes acompanhassem, à noite, dois detentos para recolher um notebook e fiações elétricas, segundo ele, para auxiliar na infraestrutura do presídio.
E a superlotação?
Até ontem à tarde, 307 detentos estavam reclusos no Presídio Regional de Tubarão. O local tem capacidade para 60. Além de levar o documento ao diretor do Departamento de Administração Prisional (Deap), Alexandre Brum, o gerente do presídio de Tubarão, Décio Paquelin, solicitou atenção à superlotação do local.
“Fomos pedir uma avaliação para ver se existe a possibilidade de transferir alguns presidiários para minimizar este problema. Fui franco e pedi mais colchões, pratos e até talheres, que já começam a faltar”, lamenta Paquelin. Uma carta de supostos familiares de presos foi enviada à imprensa e à direção do local, ontem à tarde. O conteúdo aponta os problemas ocorridos com a superlotação e sugere que uma “rebelião sangrenta” poderá ocorrer a qualquer momento.
Paquelin informa que ontem os advogados que participaram de um mutirão no presídio, há quase três semanas, entregaram um relatório ao juiz corregedor, Elleston Canali, que reavaliará a situação destes reclusos. Uma liminar que determina em 200 o número máximo de presos foi expedida em fevereiro do ano passado pelo juiz Júlio Knoll.
