domingo, 18 outubro , 2026

Prevendo fracasso de reforma, governo planeja agenda microeconômica

O núcleo do governo Michel Temer já não conta com a aprovação da reforma da Previdência para este ano e começou a articular uma agenda de medidas, baseadas principalmente na microeconomia, para chegar com algum fôlego até o fim de 2018.

Integrantes do Ministério da Fazenda e o próprio ministro Henrique Meirelles já não têm mais grandes expectativas sobre o avanço das mudanças nas regras de aposentadoria e se organizam para aprovar pautas no Congresso como o cadastro positivo e a privatização da Eletrobras -apostas do Planalto para passar a ideia de que o governo segue mesmo com o naufrágio de sua principal bandeira.

O primeiro projeto já foi votado no Senado e agora, na Câmara, sofre resistência de alguns parlamentares, como Celso Russomanno (PRB-SP), muito identificado com as questões de defesa do consumidor.

Integrantes da equipe de Meirelles, porém, já estão em campo para negociar com o deputado. Caso haja alterações, o texto deve voltar ao Senado, onde o governo acredita contar com um cenário mais favorável para sua aprovação.

Sobre a privatização da Petrobras, Planalto está bastante otimista de que vai conseguir aprovar a medida, principalmente porque o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-Rj), já sinalizou que, sem a reforma da Previdência, o mercado vai se acalmar se propostas como esta e a reoneração da folha de pagamento tiveram o aval do Legislativo.

Com pretensões de concorrer à Presidência da República este ano, Maia deve dar celeridade a estes projetos, além de se dedicar a pautas ligadas à segurança pública, com mais apelo junto à sociedade.

Em conversas nos últimos dias entre Temer e seus principais assessores, a ideia de que a nova Previdência não vai avançar ficou cristalizada.

Apesar da insistência retórica e pública de que o governo não jogou a toalha, ganhou corpo o discurso de que, se não houver votos até o fim deste mês, Maia não vai mais pautar o texto este ano, como mostrou a Folha de S.Paulo, deixando-no como um legado para 2019.

Mesmo com as flexibilizações do texto, apresentadas inclusive nesta quarta-feira (7), o governo ainda não conseguiu os 308 dos 513 votos necessários para aprovar a medida na Câmara.

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