Capivari de Baixo
A conclusão dos trabalhos do projeto Arqueologia no Parque será inaugurada nesta quinta-feira (9), pela Associação Jorge Lacerda (AJL), entidade formada por cinco instituições para administrar o Parque Ambiental Encantos do Sul. As atividades resultaram na musealização de um sambaqui localizado dentro do parque, em Capivari de Baixo.
Musealizar um local é criar instrumentos que viabilizem o conhecimento do ambiente. No caso do ‘Sambaqui I’, o trabalho incluiu a construção de um deck e parte da calçada, ambos na área externa do sambaqui. Foram afixadas placas indicativas apresentando e conceituando o local, além de apresentar o trajeto da pesquisa desenvolvida no sítio pela equipe do Grupep-Arqueologia, da Unisul, sob a coordenação da arqueóloga Deisi Scunderlick Eloy de Farias.
A execução do projeto iniciou em outubro de 2015 e terminou no mês passado. Teve a participação de mais de 20 pesquisadores, estagiários e funcionários administrativos. O projeto custou em torno de R$ 300 mil e a origem dos recursos foi a renúncia fiscal da Engie Energia, via Lei Rouanet.
“Vale ressaltar que o Parque Encantos do Sul é o primeiro parque do Brasil a preservar e cuidar de um sambaqui, musealizando o seu entorno, gerando conhecimento e promovendo a conservação e valorização daquele sítio. A parceria com o Grupep-Arqueologia/Unisul possibilitará a visibilidade do local junto à comunidade escolar e em geral”, destaca Deisi.
Outro aspecto de ineditismo é que este é primeiro sambaqui musealizado do complexo lagunar do Sul de Santa Catarina. “O Parque se sente honrado e agradecido pela enorme responsabilidade de manter e de cuidar deste patrimônio cultural, que é o Sambaqui I”, salienta o presidente da Associação Jorge Lacerda, Valdeci Algayer.
Os sambaquis possuem um padrão presente em todo o litoral catarinense e no caso do ‘Capivari I’ esse padrão se manteve. “Foram escavados sepultamentos, demonstrando tratar-se de uma área cerimonial e funerária. Os vestígios arqueofaunísticos apresentaram uma fauna litorânea de beira de lagoa, demonstrando que a paleolagoa se estendia até aquela região, onde hoje está o parque”, completa Deisi.
Nesta quinta, às 9h30, haverá uma solenidade no teatro do Centro de Cultura e Sustentabilidade do Parque Ambiental aberta ao público, oportunidade em que serão apresentados alguns dados sobre a pesquisa e a execução do projeto de salvamento do sítio. Às 10h30 será feita uma visita de reconhecimento ao sambaqui, com acesso pela Rua Maria da Silva Alves (quase esquina com Rua Coronel Pena), e a abertura oficial do sambaqui e inauguração da calçada e demais benfeitorias.

