Lily Farias
Tubarão
Uma vistoria na Lagoa da Manteiga, em Tubarão, foi realizada para avaliar o que causa a morte da taboa, espécie de vegetação predominante na área.
Conforme o engenheiro agrônomo Maicon dos Reis Soares, de Tubarão, o principal fator é o alto nível de salinização, um processo que ocorre gradativamente desde 2007, quando a Barra do Camacho, em Jaguaruna, foi reaberta.
Segundo ele, o nível de sal na água da lagoa está muito acima do que a vegetação tolera, até 4,0 milisiemens. A medição feita na semana passada, quando a expedição foi realizada, apontou a quantidade de 9,9 milisiemens de sal na água.
“É muito alto. É impossível que ainda haja vida em um local como este. Sem dúvida este é a causa da mortalidade da vegetação”, atesta Maicon, ao reforçar que o processo é ambientalmente natural.
“Com as obras de engenharia e redragagem da Barra do Camacho, o regime hidrológico das lagoas e rios são alterados. Com isso, o sal entra com maior intensidade nos lagos e a vegetação morre. Mas isso não se trata de degradação ambiental”, confirma o engenheiro.
A conclusão de Maicon é que ocorre uma mudança gradativa na fauna e na flora de todo o complexo. “No caso da Lagoa da Manteiga é só o começo. Durante a vistoria, constatei um alto nível de sal em todas as lagoas. Há pontos em que apresentam 7,5 milisiemens”, aponta.
O engenheiro afirma que o complexo vai passar a desenvolver uma fauna e uma flora predominantemente de água salgada. Inclusive, aponta, já existem animais que migraram em função da modificação natural do meio ambiente.

