Florianópolis
Caso funcionasse o radar meteorológico de Lontras, mesmo assim não poderia ser previsto o tornado que atingiu Xanxerê e Ponte Serrada na última segunda-feira. O equipamento que estava em fase de testes e não funciona desde janeiro por um problema na fonte de alimentação tem cobertura de 77% do território catarinense, com exceção do sul e oeste, justamente esta última é a região mais favorável para os fenômenos.
Conforme o secretário de Defesa Civil do estado, Milton Hobus, a região sul conta com a parceria do Rio Grande do Sul que repassa informações. Diante disso, os avisos e ou alertas são emitidos. “Hoje, o oeste não possui equipamento. O de Lontras, mesmo que estivesse ligado, não cobre a área de Xanxerê. O único que poderia e detectou foi o de Cascavel, no Paraná”, explica. “Está prevista uma parceria com Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que pretende adquirir vários equipamentos para o país”, ressalta. Para o oeste a previsão é até o fim do ano. Para o sul, os estudos e projetos devem ser lançados em breve.
Nesta quarta-feira em reunião com a empresa Simtech, que representa no Brasil a fabricante do radar meteorológico de Lontras, Enterprise Eletronic Corporation, foi tratado de assuntos referentes aos danos ocasionados no equipamento. O secretário solicitou um posicionamento sobre a chegada das peças fabricadas nos Estados Unidos que vão substituir as que apresentaram defeito.
Os profissionais que se reuniram com a Defesa Civil reafirmaram o compromisso de que as peças chegam na fábrica, no Alabama (EUA), até hoje. A previsão é que semana que vem esses componentes eletrônicos sejam despachados para o Brasil.
Previsão do fenômeno
Por causa do tornado e dos vendavais que atingiram o oeste, surgiram questionamentos sobre a eficácia do radar meteorológico. O gerente de monitoramento e alerta, Frederico Rudorff, destacou que há uma distância superior à área de cobertura, entre o ponto afetado e local do radar meteorológico de Lontras. Rudorff afirma que o equipamento mais indicado para captar esse fenômeno seria o de Cascavel, no Paraná. “É extremamente difícil de prever um tornado. Fazer uma previsão de tornado é complicado. Os Estados Unidos que têm equipes destinada somente para isso têm dificuldades,” ressaltou. O radar e a estrutura que o estado possui hoje possibilitam a detecção de grandes tempestades. Diante disso, reforçou que mesmo que o radar de Lontras registrasse um fenômeno como esse, seria em curtíssimo prazo, cerca de 10 ou 15 minutos.

