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Propósito: a força invisível que move pessoas e sustenta estratégias 

Por Natálie Berka Borges

Propósito: a força invisível que move pessoas e sustenta estratégias 

Se você acompanha esta coluna, já sabe que falamos muito sobre cultura, processos, governança e saúde mental. Hoje, vamos falar sobre um tema que costura tudo isso: propósito. E mais do que falar de forma inspiradora, vamos entender como ele pode ser mapeado, praticado e conectado ao crescimento da empresa. 

Letramento do dia: o que é propósito? 

Propósito é o sentido que damos ao que fazemos. É a motivação interna que nos faz levantar da cama, enfrentar desafios e seguir em frente, mesmo naqueles doas em que o cansaço bate. É o que conecta a ação ao significado. 

No contexto do trabalho, propósito é quando a pessoa sente que aquilo que ela faz tem relevância, está alinhado com seus valores e contribui para algo maior do que ela mesma. 

Exemplos de propósito: 

  • Uma enfermeira que acredita que sua missão é cuidar do outro com dignidade. 
  • Um empreendedor que quer transformar a forma como o setor enxerga inovação e impacto. 
  • Um analista financeiro que vê seu trabalho como suporte estratégico para decisões mais conscientes. 

Importante: propósito não é sobre “grandes causas” sempre. É sobre coerência entre valores, escolhas e o impacto que se deseja gerar no mundo. 

Por que propósito importa? 

Neurocientificamente, viver com propósito ativa áreas cerebrais ligadas à motivação, ao planejamento e à regulação emocional. Ele aumenta os níveis de dopamina, serotonina e oxitocina, o que melhora o bem-estar, fortalece o engajamento e protege contra o estresse crônico. 

Do ponto de vista organizacional, pessoas com senso de propósito produzem mais, permanecem mais tempo na Organização e adoecem menos. É também um fator de proteção para a saúde mental: o cérebro humano precisa de pertencimento e sentido para prosperar. 

Como mapear propósito em processos seletivos? 

Se você quer formar um time engajado, precisa incluir propósito nas entrevistas. 

Dicas práticas: 

  • Pergunte: “O que te move no trabalho?” ou “Que tipo de contribuição você gostaria de deixar por onde passa?” 
  • Avalie se os valores do candidato convergem com os da empresa. 
  • Dê espaço para que o candidato também avalie se o que a empresa acredita faz sentido para sua trajetória. 

Contratar por propósito é contratar por energia vital, por motivação genuína. Não é subjetividade aleatória — é critério estratégico. 

Como acompanhar propósito nos programas de desenvolvimento? 

No acompanhamento de pessoas (como em PDIs ou mentorias), inclua conversas sobre propósito pessoal e alinhamento com os objetivos da empresa. 

Exemplos de perguntas para esse momento: 

  • “O que tem feito sentido para você nesta função?” 
  • “Qual habilidade você gostaria de usar mais?” 
  • “Que tipo de projeto te faria sentir orgulho de estar aqui?” 

Esse tipo de abordagem ajuda o colaborador a entender onde está seu lugar de potência, e ajuda a empresa a direcionar talentos com mais estratégia e senso de cuidado. 

Propósito, planejamento e estratégia: tudo conectado 

Se sua empresa tem metas, KPIs, planejamento estratégico, mas não considera quem vai executar tudo isso — e com qual motivação —, você pode estar com uma lacuna importante. 

Propósito não substitui metas, mas dá combustível para persegui-las com consistência. Empresas que se preocupam em alinhar propósito pessoal com os objetivos da organização criam ambientes mais resilientes, criativos e leais. 

Líderes e RHs têm papel fundamental nessa costura: promovendo conversas reais, adaptando programas e oferecendo espaço para que as pessoas sejam quem são, dentro de um sistema que respeita suas verdades e diversidades. 

Para fechar 

Propósito é subjetivo, sim. Mas não é abstrato. É possível mapeá-lo, cultivar e usar como elemento estratégico na gestão de pessoas. 

Quando empresas cuidam dessa dimensão, elas não apenas retêm talentos — elas cultivam vitalidade, pertencimento e engajamento duradouro. 

Na próxima parada da nossa trilha, vamos falar sobre reconhecimento: como dar visibilidade aos esforços certos, como criar práticas que reforcem o que queremos ver mais e como isso pode ser uma das mais eficazes ferramentas de gestão. 

Nos encontramos lá?

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