Findadas as eleições, eleitos e eleitores têm como principal tarefa a construção do desenvolvimento sustentável do município, ou os problemas – violência, imobilidade urbana, caos na saúde e na educação e outros – se agravarão.
Bangalore, na Índia, e Villa Del Salvador, no Peru, são exemplos – apresentados na Conferência Mundial das Cidades, ocorrida em 2008, na grande Porto Alegre – sobre como uma ou outra possibilidade pode ocorrer.
A primeira foi transformada num dos maiores centros mundiais de tecnologia, mas manteve os níveis de miséria. A segunda, formada por invasores da periferia de Lima, no Peru, resolveu, em pouco tempo, os problemas de falta de água potável, desnutrição e analfabetismo.
O que as diferencia? Em Bangalore, mirou-se no progresso, sem mecanismos de distribuição de renda e de cuidado ambiental. Houve somente ‘Ação no local’ com os desdobramentos conhecidos: aumento da favelização e da criminalidade. Constatou-se que apenas abundantes recursos financeiros não resolvem os problemas.
Em Villa Del Salvador, ao contrário, houve, ‘Desenvolvimento local’, que, segundo o Pnud (Órgão da ONU para o desenvolvimento), é “a estratégia mais eficaz de combate à pobreza, pois busca inserir os excluídos no processo de discussão e decisão das alternativas de desenvolvimento”.
Entendimento reforçado na Rio + 20, ocorrida em junho deste ano, no Rio de Janeiro, que propôs substituir o Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – como medidas de prosperidade no século 21 – pelo Índice de Riqueza Inclusiva (IRI), que “busca integrar aspectos sociais e ambientais ao desempenho econômico”.
Assim: a) estimula e protege os empreendimentos locais e regionais; b) tem como características básicas o sentir, o planejar e o agir coletivamente, argamassados pela inovação e pela solidariedade; c) preconiza a concertação entre todos os atores sociais (povo, agentes políticos e empresários), que devem ter orgulho de pertencer ao município e perceberem que, de forma isolada, inclusive os municípios, terão mais dificuldades para solucionar os seus problemas.
É imprescindível, portanto, que, a partir deste novo paradigma de desenvolvimento, auxiliado pelas metodologias inclusivas, prefeitos, vereadores e comunidades, retomem ou revitalizem o Plano de Governo aprovado nas urnas, para concretizá-lo, de acordo com as possibilidades orçamentárias e participação da iniciativa privada e dos governos estadual e federal.
Ou seja, é preciso equilíbrio entre concepção, gestão e recursos financeiros.

