Início Opinião Psicologia educacional

Psicologia educacional

O   campo da psicologia escolar e educacional é vasto e complexo. Caracteriza-se por ser um cenário dinâmico permeado por fatores sociais e culturais singulares a cada escola, a cada grupo de trabalho e a realidade vivida em cada relação de ensino e aprendizagem. Nessa direção, desafios e possibilidades fazem parte do cotidiano de quem se dispõe a intervir nas relações e nos processos que constituem as demandas que envolvem a escola. 

Entre elas, destacam-se as lutas pela valorização do trabalho do professor para que se constituam relações escolares democráticas, enfrentamentos dos processos de medicalização, patologização e judicialização da vida de educadores e estudantes, a promoção de políticas públicas que possibilitem o desenvolvimento de todos e todas, na direção da superação dos processos de exclusão e estigmatização social.

O trabalho é constante para colocar em análise coletiva o que é produzido no cotidiano da sala de aula e da escola. Num estudo com profissionais da área realizado pelo Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop), ligado ao Sistema Conselhos, a ponderação é que os rituais da escola constroem-se a partir de modelos do bom estudante, do ritmo adequado para a aprendizagem, do comportamento disciplinado.

Mas quando os profissionais deparam-se com modos de inserção das famílias e de seus arranjos para sobreviver, da composição das turmas, dos diferentes estágios em que os estudantes chegam e de seus modos de compreensão das matérias, as perguntas que vêm são: O que fazer? Quem é o especialista que vai fazer a mágica de transformar o diverso em homogêneo? 

Sabe-se que as equipes da educação trabalham cada vez mais de forma acelerada, vivendo os efeitos das práticas coletivas que tecem as tramas, que sistematizam e naturalizam formas de agir, sem conseguir entender o que se passa e como criar alternativas às impotências cada vez maiores para muitos professores, estudantes, familiares e psicólogos. Por isso, nosso trabalho é sustentar um campo de indagações que dê tempo para os educadores pensarem, produzir novas perguntas sobre as práticas, os fatos e as circunstâncias, favorecendo a experimentação de outro tempo menos acelerado. 

Tendo como perspectiva, o Conselho Regional de Psicologia de Santa Catarina mantém um grupo de discussões sobre o tema, com objetivo de manter a mobilização da categoria para que sejam agentes na promoção de diálogos e reflexões que contribuam com o aprimoramento das práticas, da visibilidade de suas áreas de interesse e que tornem mais sólidas e efetivas as práticas nas políticas públicas de educação. Mesmo com os avanços da área, ainda há muito para progredir no que diz respeito à construção de práticas alinhadas com uma perspectiva de escola inclusiva, socialmente referendada a todas e todos, que considere a diversidade de vidas existentes em cada sala de aula, assim como as condições de trabalho.

Sair da versão mobile