Clarice Roballo
Publicitária
Como publicitária apaixonada que sou, muito me encanta observar as pessoas, mais especificamente seus comportamentos e hábitos. Cada vez mais entendemos que as pessoas querem se sentir cuidadas, que precisamos ir além de preço e produto, porque as palavras-chave são relacionamento com o cliente e cuidado. Seja em termos o perfil do que ele gosta, um bilhetinho nas suas datas especiais, ou uma experiência aguçando os cinco sentidos, despertar sensações.
Mas o que de fato tem chamado muito a minha atenção é que, mesmo entendendo que o que mantém um relacionamento é o cuidado e a presença, ainda assim hoje os índices de divórcios e demais términos de relacionamentos são cada vez maiores. Segundo o IBGE, nos últimos dez anos o índice de divórcio cresceu cerca de 160%, um dado que achei no mínimo interessante.
Estamos direcionando todos esses cuidados quando a palavra é cliente, consumo e talvez aquele tapinha nas costas que alimenta o nosso ego, mas não o nosso coração.
Então, curiosa, pensei em pesquisar e questionar casais separados, e casais juntos há mais de dez, 20, 30 anos. E assim o fiz. Impressionante foi a unanimidade das respostas, das conversas.
Encontrei basicamente dois tipos de relacionamentos. Um acomodado com o que se chama de “ganho secundário” na psicologia. Que se está junto não pelo afeto, mas por algum tipo de ganho secundário, seja pelo que o relacionamento proporciona, como estabilidade financeira ou status, por exemplo. O que não podemos julgar é se está certo, ou errado, mas se ambos estão bem assim.
Tudo bem. E o outro grupo, que muito me encantou, foi o que se esforça, dos altos e baixos, da parceria, da lida. Em conversas descontraídas, quando o questionamento era “afinal, o que faz durar um casamento assim?”, todos respondiam: “Já passamos muita coisa para estar aqui. Nem era para estarmos juntos. Mas a gente insistiu”. É, eles insistiram. Foi o grupo que mais me apresentou altos e baixos na relação, mas o que mais me fez entender o principal, o cuidado, o entender a instabilidade humana e vencer com amor e paciência. Então voltamos ao ponto crucial de qualquer relacionamento, seja comercial ou pessoal: o cuidado e a paciência.
No mundo das redes sociais, vemos aos montes declarações de amor em relacionamentos virtuais perfeitos, que quando vemos de perto talvez não são tão incríveis assim, e por muitas vezes até abusivos. Mas nesse processo entra aquele amiguinho que mencionamos lá no início.
O nosso amigo ego, que gosta de uma plateia, elogios e tapinha nas costas. Hoje temos uma infinidade de opções e catálogos virtuais para elegermos a “vítima da noite”, quando no fim descobrimos que não temos para quem voltar, ou com quem contar, porque simplesmente não soubemos ter paciência, ou insistir, afinal, somos humanos e falhos. E sabe de uma coisa? Atrás de cada like ou match existe outra pessoa falha com suas histórias, expectativas e vontades.
Porém, a pergunta é: será que nós temos a paciência, o cuidado e a insistência necessários?
Ao final das conversas e demais pesquisas o que me fica de aprendizado é que por vezes precisamos dar o braço a torcer, ouvir e insistir. A pessoa do outro lado é tão incrivelmente cheia de falhas como nós, e o mais bacana de crescer juntos é que um complementa o outro e dá força para a cada dia ser um pouquinho melhor. Como nos diz Os Paralamas do Sucesso, “cuide bem do seu amor, seja quem for”. Para quem ainda não encontrou o seu amor, convido a buscá-lo de peito aberto e perceber que talvez as falhas sejam deliciosas de corrigir a dois. Que tal tentar?

