sábado, 16 maio , 2026

Realmente, a Unisul não é Cuba e o Reitor não é Fidel

A Universidade do Sul de Santa Catarina é uma fundação municipal de ensino superior, criada e mantida juridicamente pela lei municipal nº1389/89, aprovada por vereadores eleitos com voto direto e popular.

Na Unisul, não se respeita o artigo 37 da Constituição Federal que obriga as fundações da administração pública indireta a respeitarem os critérios da impessoalidade, transparência e exige concurso público e processos licitatórios. Tão pouco se respeita as diretrizes da LDB, que também regulamentam o processo de eleição direta para a escolha do reitor. Tão pouco respeita as leis estaduais que tratam do tema. Todas diretrizes aprovadas por mandatários eleitos com voto direto e popular.

Nunca a comunidade universitária optou pelo método de eleição indireta na Unisul. Quem o escolheu e o optou são os mesmos que se beneficiam das estruturas de poder da universidade. Tudo se decide nos bastidores e são apresentadas ao Conselho Universitário, o mesmo que elege o reitor, composto por pessoas escolhidas pelo próprio. Coordenadores de curso que não possuem estabilidade de emprego.

Existem grupos, famílias, redes políticas que disputam a direção da Unisul. Existem também os medíocres e eternos puxa-sacos. É uma disputa feita de bastidores. Que tem medo do público? Medo do democrático? Quem decidiu que as eleições seriam indiretas?
A democracia também se caracteriza pela transparência e pela participação. Critérios que não existem no vocabulário político em Tubarão.

No modelo Unisul de eleição indireta, na prática, o reitor escolhe quem o elege. O coordenador de curso é um gestor, a universidade uma empresa. Não se apresentam disputas nas coordenações de curso. É um jogo de cartas marcadas.

A bandeira pela eleição direta dos dirigentes das universidades vem da luta pela reforma universitária de Córdoba, 1918. Esse modelo teria objetivo de livrar a universidade da influência das mudanças políticas nos governos e da perpetuação dos burocratas no poder. A universidade teria que ser autônoma para garantir que seus interesses estivessem em correspondência com os interesses nacionais. A universidade foi concebida como um espaço para a livre manifestação do pensamento.

O movimento estudantil brasileiro compreendeu que esse critério estaria em correspondência com a realidade nacional. Por isso, durante décadas, nunca abandonamos a luta pela democratização, em todos os âmbitos, das universidades.
Comparar Cuba e Fidel com a Unisul e o reitor é um insulto. Primeiro que Fidel, a cada processo que foi eleito presidente do conselho de ministros, teve que ser eleito desde a sua circunscrição em Santiago de Cuba como delegado municipal.

Depois eleito a deputado provincial, em seguida a nacional, para depois ser eleito presidente pela assembléia nacional do poder popular. É preciso saber que a qualquer momento os eleitores da base do deputado cubano podem revogar o mandato do parlamentar. O mesmo para Fidel. Fidel não tinha nem poder, segundo a constituição cubana, para nomear ministros (essa é tarefa do parlamento).
Quem elegeu o atual reitor? Em qual assembléia de base ele apresentou-se? Quem tem o direito de revogar o seu mandato?

Caro leitor, Cuba é bem diferente da Unisul. Aqui em Cuba, o povo tem o poder e direitos sociais, e mais que isso, tem dirigentes de uma índole moral e ética que jamais se poderá comparar com os dirigentes da Unisul e da nossa região. O povo ama Fidel, não o teme. Para defender idéias, é preciso corresponder as mesmas a realidade.

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