‘O melhor momento para consertar o telhado é antes da chuva’. Tal ditado popular deveria nortear todos os aspectos da vida pessoal e coletiva. Contudo, muitas pessoas ainda agem somente depois de vidas ceifadas e/ou prejuízos astronômicos contabilizados. Quer dizer: predomina a pedagogia da tragédia.
Predominam, também – na vida pessoal e coletiva – as críticas dos que nada fazem sobre os que voluntariamente fazem, e o discurso do “pago meus impostos, por isso tenho direito”, que tem lógica, mas perdeu garantia. Quem trabalha, por exemplo, tem direito de receber salário integral no fim do mês, porém, faz muito tempo que isso não ocorre no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.
Tais predominâncias – que resultam em omissões – oportunizam aos maus gestores – mesmo os eleitos – que se utilizem indevidamente do dinheiro público e não façam o necessário para que a administração pública devolva, com excelentes serviços, os tantos tributos que a população paga.
São a prevenção (menos onerosa e mais eficaz) e a vigorosa participação do povo – concretizadas no ajudar e no exigir – que contribuem para construir avanços, tanto na vida pessoal quanto na coletiva.
A redragagem do rio Tubarão está eivada das mencionadas predominâncias. Depois de sua retificação, em 1982, o único movimento concreto era ir para a beira do rio quando as águas subiam, e retornar aos afazeres cotidianos quando baixavam, como se nunca tivesse ocorrido enchente na cidade (há registro de diversas, antes da de 1974, que ceifou 199 pessoas, desabrigou outras 60 mil e causou prejuízos estimados, aos dias de hoje, de R$ 7 bilhões) e como se nunca mais fosse ocorrer… (O rio está assoreado, e o aumento dos eventos climáticos extremos torna outra iminente).
Foram Seminários ocorridos nos aniversários da enchente, em cumprimento da Lei Nº3289/2009, que uniram as entidades afins de Tubarão e sensibilizaram o governo do Estado para investir R$ 2.425.747,62 nos projetos executivo e ambiental, apresentados à sociedade em três audiências públicas que, ao contrário do propalado por quem não participa (se participasse, o processo poderia estar mais adiantado), incorporou sugestões da Comissão de Acompanhamento e dos participantes.
Faltam, agora, os ajustes nos projetos e maior participação com o fito de agilizar as licenças ambientais e prospectar os recursos para desassorear o rio (absolutamente necessário, mas insuficiente para evitar outra tragédia).
Ou mais vidas e patrimônios públicos e privados irão, novamente, rio abaixo. Se acontecer, não mais será fatalidade, como em 1974, mas criminosa omissão, tantas são as informações, as tecnologias preventivas, os alertas do próprio rio e os recursos públicos desperdiçados pela incompetência, nos privilégios e nos ralos da corrupção…

