O relator do procedimento no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), Francisco Sanseverino, votou nesta sexta-feira (25) contra a abertura de investigação criminal sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso Banco Master.
Segundo o relator, não existem elementos mínimos de materialidade ou autoria de crime atribuível a Gonet. Sanseverino também afirmou que não foi encontrada conversa direta entre o procurador-geral e Daniel Vorcaro no celular do ex-banqueiro.
Relator diz que mensagens precisam de contexto
Sanseverino afirmou que as mensagens com referências a Gonet não podem ser analisadas isoladamente.
Segundo ele, interpretar frases ou trocas de mensagens fora do contexto poderia criar uma situação que não correspondesse aos fatos.
A Polícia Federal não encontrou no celular de Vorcaro um contato salvo com o nome “Paulo Gonet” ou “Gonet”, conforme o voto apresentado ao Conselho.
As referências ao procurador-geral foram identificadas principalmente em conversas entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares.
Para o relator, a ausência de comunicação direta enfraquece a alegação de existência de uma relação de proximidade entre Gonet e o ex-banqueiro.
Encontro em Londres foi citado no voto
Outro ponto analisado foi um encontro entre Gonet e Vorcaro em Londres, em abril de 2024.
Sanseverino classificou o episódio como isolado e superficial, ocorrido em um ambiente social e com outras pessoas presentes.
O relator também analisou uma segunda conversa que Gonet reconheceu ter mantido com Vorcaro, em 15 de março de 2025.
Segundo manifestação da Procuradoria-Geral da República citada no voto, o advogado Ciro Soares teria ligado para Vorcaro e passado o telefone para Gonet cumprimentá-lo.
O procurador-geral afirmou que a conversa foi breve e não tratou de assunto relevante ou relacionado às suas funções.
Atuação de Gonet nas investigações
O relator também analisou a atuação do procurador-geral depois que ele tomou conhecimento das suspeitas relacionadas ao Banco Master.
Segundo o voto, a partir de julho de 2025, Gonet adotou medidas de apoio institucional aos procuradores responsáveis pelas investigações no Distrito Federal e em São Paulo.
Sanseverino concluiu, portanto, que não havia elementos mínimos para instaurar uma apuração criminal contra o procurador-geral.
Conselho analisa eventual investigação
A sessão do Conselho Superior do MPF avalia se as referências a Gonet encontradas em materiais da Polícia Federal justificam uma investigação criminal e disciplinar.
O relator dividiu a análise em dois pontos.
Primeiro, afirmou que uma eventual discussão sobre suspeição ou impedimento de Gonet em processos no Supremo Tribunal Federal deve ser feita nos próprios autos e decidida pelo STF.
Depois, examinou a existência de elementos que justificassem uma investigação criminal.
Nesse segundo ponto, votou contra a abertura do procedimento.
A reunião é presidida pelo vice-presidente do Conselho, subprocurador-geral da República Nicolao Dino. Gonet não participa da sessão por ser alvo do procedimento.
Outros elementos citados no caso Master
A análise do Conselho ocorre após a divulgação de informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular de Daniel Vorcaro.
Entre os elementos divulgados estão mensagens envolvendo Vorcaro, o advogado Ciro Soares e referências a Gonet.
Também foram divulgadas informações sobre uma fotografia de Gonet e Vorcaro em Londres, além de mensagens relacionadas a uma possível viagem à cidade.
Outro conjunto de mensagens menciona uma suposta articulação envolvendo Gonet e a eleição para a presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG).
Esses elementos são objeto de diferentes interpretações no âmbito das instituições envolvidas.
Caso Banco Master segue em investigação
O caso Banco Master envolve investigações da Polícia Federal e do Banco Central relacionadas a suspeitas de irregularidades financeiras.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025.
Daniel Vorcaro foi preso preventivamente durante as investigações. A divulgação de relatórios da Polícia Federal também trouxe à tona mensagens e registros de contatos do ex-banqueiro com autoridades e outras pessoas.
O posicionamento de Sanseverino nesta sexta-feira é o voto do relator. A decisão final sobre a abertura ou não do procedimento depende da deliberação do Conselho Superior do MPF.

