A família, base da construção social, degradou-se. Pais já não conseguem mais educar e controlar seus filhos. Por vezes, eles mesmos têm dúvidas em discernir o certo do errado, o meio se lhe apresenta com inúmeras oportunidades para o desvio de conduta, a escola ensina matemática, português, história, geografia, etc., mas não ensina moral, bons costumes, ética e civismo. Existem ainda as atividades ilícitas como o comércio e consumo de drogas, “estar na onda”, os modismos a definir de “caretas” quem não os seguem.
Que estrutura tem o nosso adolescente para contrapor esta situação? A juventude é, seguramente, a grande vítima dessa realidade. Culpados somos nós, pais, empresários, políticos, profissionais liberais, professores, dentre outros, que não lhe oportunizamos outra alternativa. Nossa omissão e negligência nos torna refém e vítima de nossos erros.
Enquanto isso, a legislação passou a proibir o trabalho para menores. Estava criado o cenário perfeito para o desvio de conduta: pais ausentes, estado omisso, maus exemplos e ociosidade infanto-juvenil.
Mas quem pode ocupar o vácuo criado com esta omissão de tantas instituições – família, estado, escola? Além de cada uma delas ter que repensar seu papel na construção de uma sociedade mais justa, honesta e geradora de esperança, estou convencido de que a religiosidade espontânea ou induzida possa ajudar a resgatar os valores morais e éticos da sociedade. Independente de credo ou religião, as igrejas podem dar uma contribuição importantíssima na construção de uma sociedade harmônica, resgatando valores, fazendo entender o papel de cada um, mostrando o ser como fator de felicidade acima do ter, fazendo ver o quanto nossa vida e as coisas terrenas são efêmeras, desenvolvendo uma sociedade mais humana, mais justa, mais solidária, mais compreensiva e respeitosa.
O estado, na sua (in)competência, precisa entender que apoiar as iniciativas que, honestamente, busquem através da educação religiosa a criação da sociedade ideal, deve incentivar e intervir para que isso passe a ser uma realidade. A inclusão, com mais intensidade, de disciplinas escolares que busquem reparar a perda da família como centro da formação social, é fundamental. Professores ligados à educação religiosa, moral e cívica precisam ter carga horária maior e a eles deve-se dispensar maior capacitação, pois formarão o cidadão no seu caráter e não só nas atividades profissionais. Isto é o mínimo que o estado deve fazer.
As medidas repressivas, diante da atual situação, não são necessárias, porém, a reestruturação da sociedade passa pelo resgate de valores morais, éticos e religiosos. A religiosidade é arma importante no combate à violência.

