Zahyra Mattar
Imbituba
No fim do ano passado, após o próprio governador Luiz Henrique da Silveira argumentar junto ao Instituto Chico Mendes (ICMBio) de que a criação de uma reserva extrativista em Imbituba e Garopaba traria sérios prejuízos aos municípios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu que a Resex não seria implantada em Santa Catarina. Pelo menos não enquanto ele estivesse na presidência.
O Fórum Parlamentar Catarinense, em Brasília, também fez pressão e conseguiu esta garantia. Na semana passada, porém, o secretário de articulação nacional do estado, Geraldo Althoff, confirmou que o projeto de criação da Resex já está nas mãos dos técnicos do Ministério do meio Ambiente.
A manobra fez ferver a ira da maioria dos pescadores artesanais das duas cidades. A maioria é contrária a criação da Resex na Lagoa de Ibiraquera. Na tentativa de reverter a situação, uma audiência, desta vez com a sub-chefia de assuntos federativos da presidência da república, está agendada. A data ainda precisa ser confirmada. Além de Althoff, os prefeitos José Roberto Martins (PSDB), de Imbituba, e Ildo da Silva Lobo (DEM), de Garopaba, já foram convocados.
O prefeito de Imbituba se diz surpreso com a tramitação do projeto. “No meu entendimento esta história era página virada, até porque houve um comprometimento público do presidente. A criação da Resex é totalmente inaceitável. Amputa nosso crescimento. As comunidades ribeirinhas não vivem exclusivamente da pesca, muito pelo contrário, hoje vivem principalmente do turismo”, justifica Beto.
Na teoria
Em tese, a Resex é uma unidade de conservação que prevê o uso sustentável dos recursos naturais por populações que sobrevivem das atividades ligadas ao extrativismo. A ideia de criação da Resex de Imbituba nasceu desde que o Fórum da Agenda 21 foi instalado. No Brasil, atualmente, há cerca de 150 processos de reservas extrativistas.

