sábado, 2 maio , 2026

Revisão do pacto federativo dependerá da reforma tributária e da reforma bancária, diz Haddad

Com apenas uma semana na corrida presidencial e já aparecendo em segundo lugar em algumas pesquisas, o candidato do PT à presidência da República, Fernando Haddad, e sua vice, Manuela D’Ávila (PCdoB), passaram esta terça-feira (18) em solo catarinense. Estiveram em Itajaí, em agenda com representantes do setor da pesca, e de lá se dirigiram para Florianópolis para um encontro com a imprensa e um ato público que reuniu aproximadamente 8 mil pessoas. Na coletiva a jornalistas de veículos nacionais e estaduais, Haddad resumiu suas prioridades mais imediatas para Santa Catarina.

Começou pela própria indústria pesqueira, afirmando estar preocupado com a falta de apoio do governo federal para todas as modalidades da pesca e aquicultura. “Esse tema voltará para a agenda do país, porque o que se fizer em Santa Catarina vai repercutir em todo o litoral brasileiro.” As demais questões colocadas pelo candidato foram a agricultura familiar, reforço à rede federal de Educação e “retirar da gaveta a ferrovia que sai de Chapecó e chega ao Litoral, que seria muito importante para o desenvolvimento do estado, sobretudo do interior”.

Mesmo priorizando em sua fala os planos para Santa Catarina, Haddad não deixou de falar da agenda que tem divulgado nacionalmente, como alavancar a economia a partir do consumo, por meio da reforma bancária e da tributária. “Daí para frente é gerar oportunidades de educação e trabalho. Este é o binômio que vai guiar o nosso próximo governo”, resumiu.

Pacto federativo

Haddad foi questionado sobre as críticas do movimento municipalista quanto à concentração de recursos na União e o baixo retorno para estados e municípios. A solução do problema, segundo o candidato, passa pelas duas reformas que citou: tributária e bancária. O plano é substituir uma série de impostos federais, estaduais e municipais por apenas um, à base de valor agregado, mas garantindo a estados e municípios que a receita real de cada um não tenha queda no período de transição.

“Isso significa que a União vai ter que entrar com uma cota-parte para que a transição se efetue de maneira adequada”, disse ao prever que, com essa garantia de estabilidade haverá apoio para as mudanças no Congresso nacional. O ganho de receita resultante da medida, segundo ele, vai ajudar a reduzir o déficit fiscal do país, essencial para dar segurança aos investidores e também para a retomada do crescimento econômico.

Sobre a reforma bancária, a crítica de Haddad foi às altas taxas de juros e ao monopólio. “No Brasil, se você tomar empréstimo bancário para abrir um negócio vai quebrar logo, porque o lucro é menor do que os juros. E em todo país em que o lucro é menor que o juro ninguém abre negócio”, comparou. O petista defendeu que seja criado um sistema de crédito que inverta essa lógica, para estimular a abertura de novas empresas e, por consequência, a geração de empregos, além de receita tributária para o poder público. “São dois mecanismos sem os quais dificilmente a economia do país voltará a crescer. Mas é preciso ter coragem para fazer isso”, provocou.

 

Apoio do Congresso

O candidato do PT acredita que terá o apoio do Congresso nacional para aprovar as reformas necessárias, mesmo que não ocorra muita renovação de nomes nas próximas eleições. Para ele, deputados federais e senadores não vão apostar mais na crise. “A aposta que foi feita em 2016, como fracassou, agora está todo mundo procurando uma saída”, disse ao completar: “Ninguém aguenta mais o que está acontecendo. A gente precisa de um pouco de paz, de tranquilidade para pactuar a saída dessa crise, dar uma esperança para as pessoas. Com mais violência e com mais intolerância nós não vamos chegar a lugar nenhum”.

Referindo-se a outras candidaturas, Fernando Haddad disse que o país está correndo risco de cair “em mais obscurantismo” e que é necessário “fazer o caminho de volta para a normalidade democrática”, apostando na normalidade institucional negociada. “Isso não significa não ter oposição. Mas significa ter oposição que queira construir soluções para o Brasil. Eu acredito que isso vai acontecer, porque o Brasil precisa. O recado das pessoas é esse: encontrem uma solução para os nossos problemas.”

A mesa da coletiva foi formada por Haddad e Manuela, e ainda pela majoritária estadual – Décio Lima (governo estadual), seu vice, Kiko Oliveira, Lédio Rosa e Ideli Salvatti (Senado). Ana Estela Haddad, companheira do candidato, e Laura, filha de Manuela, também compuseram a mesa.

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