Ativista e uma das mulheres que ajudaram a desmascarar abusos sexuais de João de Deus, Sabrina Bittencourt, 37 anos, se matou nesse sábado (2/2), em Barcelona, Espanha. A informação foi confirmada em nota por Maria do Carmo Santos, presidente da ONG Vitimas Unidas, na qual Sabrina atuava.
“O grupo Vítimas Unidas comunica com pesar o falecimento de Sabrina de Campos Bittencourt ocorrido por volta das 21h deste sábado, 02 de fevereiro, na cidade de Barcelona, na Espanha, onde vivia. A ativista cometeu suicídio e deixou uma carta de despedida relatando os porquês de tirar sua própria vida. Pedimos a todos que não tentem entrar em contato com nenhum integrante da família, preservando-os de perguntas que sejam dolorosas neste momento tão difícil. Dois dos três filhos de Sabrina ainda não sabem do ocorrido e o pai, Rafael Velasco, está tentando protege-los. A luta de Sabrina jamais será esquecida e continuaremos, com a mesma garra, defendendo as minorias, principalmente as mulheres que são vítimas diárias do machismo”.
A morte da ativista também foi confirmada pelo filho dela, Gabriel Baum, nas redes sociais.
“Ela só se transformou em outra matéria, nós seguiremos por ela. Foi isso que minha mãe me ensinou. Minha mãe me passou o ano todo me preparando, mas nunca estamos preparados. Ela fez mais de 300 vídeos com todas as instruções, deixou tudo em provas, organizado, em um pacote de cartas. Ela não queria ser morta pelas quadrilhas nem pelo câncer. Lutou até o final”, diz um trecho da postagem.
Antes da morte, Sabrina escreveu post no Facebook falando sobre luta pelas mulheres: “Marielle me uno a ti. Eu fiz o que pude, até onde pude. Meu amor será eterno por todos vocês. Perdão por não aguentar, meus filhos”.
Prisão
No sábado, Sabrina chegou a se manifestar sobre a prisão de Sandro Teixeira de Faria, filho de João de Deus, em Anápolis (GO). Ele é acusado de coagir testemunhas que denunciam os abusos sexuais do médium.
“Confirmo que Sandro Teixeira tem ameaçado nossas testemunhas, coagido, entrado na casa das pessoas, proíbe que falem comigo, Maria do Carmo Santos e Vana Lopes, do Grupo Vítimas Unidas. Estamos protegendo várias destas vítimas e testemunhas”, disse ela.
A ativista disse ter recebido ao menos 185 denúncias contra 13 líderes espirituais brasileiros desde setembro.

