A passagem de Davide Ancelotti pelo Botafogo chegou ao fim nesta quarta-feira (18), antes do término do contrato que iria até dezembro de 2026. O principal fator para a saída do treinador italiano foi o desgaste interno provocado pela situação do preparador físico Luca Guerra, além de divergências sobre planejamento esportivo e segurança no cargo para a próxima temporada.
Contratado em julho de 2025, Davide deixa o clube após 33 partidas no comando, com 15 vitórias, 11 empates e sete derrotas, tornando-se o terceiro técnico mais longevo da era SAF no Botafogo.
Luca Guerra foi o pivô do desgaste
Segundo apuração, a diretoria do Botafogo já havia decidido pela saída de Luca Guerra no início de novembro, mas optou por comunicar a decisão apenas após o fim do Campeonato Brasileiro. O primeiro contato com Davide Ancelotti ocorreu cerca de um mês antes da demissão, e o treinador inicialmente compreendeu as reclamações.
Nos últimos dias, porém, Davide deixou claro que considerava a permanência do preparador físico imprescindível para seu trabalho. Essa posição gerou o maior atrito com a diretoria e foi decisiva para o rompimento.
Fontes internas apontam que Luca Guerra ignorava orientações do Núcleo de Saúde e Performance, desconsiderando dados sobre fadiga, carga física e mapas de calor. A condução dos treinos, considerada excessivamente intensa, teria contribuído para uma sequência de lesões musculares no elenco e causado conflitos internos.
Planejamento para 2026 também pesou
Do lado do treinador, fontes próximas garantem que a decisão de deixar o Botafogo não foi impulsiva. Davide avaliou o próprio futuro profissional e os desafios do clube para 2026 antes de optar pela saída.
Entre os pontos levantados por ele estavam as incertezas sobre reforços. O italiano defendia a contratação de jogadores capazes de elevar o nível competitivo do elenco, alinhados à ambição de disputar títulos, mas não via garantias de que isso ocorreria.
Além disso, havia preocupação com um possível transferban relacionado ao caso Thiago Almada. O Botafogo precisa pagar cerca de 21 milhões de dólares para evitar a punição, o que poderia forçar a venda de atletas importantes — cenário considerado incoerente com os objetivos esportivos traçados.
Insegurança no cargo e relação com a torcida
Outro fator citado foi a falta de segurança no projeto. Apesar do bom relacionamento interno com a diretoria, Davide não se sentia garantido no cargo. Em alguns momentos de 2025, chegou a ser vaiado por torcedores, o que reforçou a percepção de que uma oscilação no início da próxima temporada poderia resultar em demissão.
Três dias antes da saída, o treinador foi informado novamente sobre o desejo de desligar Luca Guerra. Inicialmente, o problema apresentado foi de relacionamento, considerado contornável. Depois, a diretoria mencionou as lesões, ponto em que Davide discordou, alegando que o elenco já convivia com problemas físicos crônicos.
Saída amigável e próximos passos
Na manhã desta quarta-feira, Davide Ancelotti reuniu-se com líderes do elenco para explicar os motivos da saída. A rescisão foi definida como amigável, sem ônus financeiro para nenhuma das partes.
Em nota oficial, o Botafogo informou que anunciará a nova comissão técnica “em breve”.

