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Salim Miguel jamais silenciará

Quando o escritor Salim Miguel celebrava o aniversário de 90 anos, amigos e admiradores do grande ficcionista correram a expressar a sua reverência na festiva data. Talvez, a mesma corrente de amigos que nos manteve informados sobre a gravidade do estado de saúde de Salim Miguel, hospitalizado em Brasília. Vozes, como a do jornalista Laudelino Sardá que, na última sexta-feira – num breve e sentido telefonema, comunicou a sua partida com a dor da orfandade. Triste, me junto a essas vozes para homenagear a personalidade ímpar e generosa do escritor Salim Miguel. Recordo  que, há dois anos, publiquei no “nosso” Notícias do Dia uma crônica onde eu dizia: Obrigada, seu Salim. Obrigada por sua escrita fecunda, por sua história contada com tanta maestria e sabor em Nur na escuridão. Obrigada pela lição de amor à cultura de Florianópolis transmitida quando, em 1997, eu assumia a Superintendência da Fundação Franklin Cascaes. Iniciava o meu caminhar, tendo a nortear o seu trabalho na gestão daquela instituição municipal que se perfilava como exemplar na consolidação de uma política cultural para a capital dos catarinenses. 

Fiquei contente ao saber que Salim Miguel, por intermédio dos amigos, o artista plástico Tércio da Gama e sua mulher  Neide, tomou conhecimento da referida crônica. Pois, a Neide, “amiga arquivista” de tudo que sai na imprensa local sobre o escritor, teve a gentileza de lê-la ao telefone. Salim Miguel, grandioso na humildade, agradeceu. 

Sua trajetória se imbrica com a história cultural de Santa Catarina desde a criação do idealista Grupo Sul (1947-1958) que sacudiu Florianópolis fechada aos ventos modernistas de 1920 que sopravam pelo Brasil. Ao lado de sua mulher, a professora e escritora Eglê Malheiros e de outros intelectuais catarinenses arquitetaram uma verdadeira revolução cultural que se alastrou pelo universo ilhéu da criação artística – literatura, artes plásticas, teatro e cinema. 

Pena consagrada, produção literária profícua com mais de 30 títulos publicados. O seu premiado romance Nur na escuridão, a transnacionalidade cultural e histórica ficcionada, descortina a identidade de um povo em sua diáspora, numa grande contribuição à Literatura de Emigração/Imigração. Salim Miguel é uma referência na literatura brasileira com a outorga de inúmeros prêmios e títulos que dignificam o autor e a sua obra. Uma vida dedicada à cultura não se perde e sim se reverencia. Uma escrita e uma voz da grandeza de Salim Miguel jamais serão silenciadas. Para sempre  brilhará como “Nur na Escuridão”. 

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