Lysiê Santos
Tubarão
Hoje, se você precisar de um atendimento de emergência pré-hospitalar conta com duas opções: se ligar para o 193, será atendido por um socorrista dos Bombeiros. Se discar o 192, acionará o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Contudo, as duas estruturas não estão interligadas e é frequente duas ambulâncias – uma do Samu e outra dos Bombeiros – se deslocarem para atender a mesma ocorrência. Sem contar que atualmente parte do Samu que realiza atendimentos básicos é gerida pelos municípios, enquanto as urgências são atendidas pelo braço estadual. Com a crise financeira enfrentada pelos municípios, a manutenção das estruturas tem sido afetada. Para reduzir o tempo de resposta no atendimento e principalmente otimizar a aplicação dos recursos, os serviços do Samu e do Corpo de Bombeiros serão unificados no Estado.
Com a mudança, o Samu passará, de maneira gradual, para uma gestão 100% estadual, sob responsabilidade do Corpo de Bombeiros e da secretaria estadual da Saúde. Outra alteração é que todas as chamadas telefônicas passarão a ser atendidas em uma central única, que ficará na sede da secretaria de Estado da Segurança Pública e estará em contato direto com as unidades regionais. Além disso, adaptações serão realizadas para que os funcionários do Samu e os bombeiros passem a trabalhar nos mesmos espaços físicos em todo o Estado.
Para apresentar os detalhes da mudança, o chefe do Samu estadual, coronel BM João Batista, esteve ontem em Tubarão.Bombeiros, socorristas, médicos e todos os profissionais envolvidos em ambos os órgãos participaram do encontro.
De acordo com o coronel, a ideia é reduzir as estruturas, cortando gastos com aluguéis e outros gastos. Os cortes, segundo alguns cálculos, resultariam em economia de quase R$ 1,5 milhão por mês.
“A otimização visa criar uma estrutura única para o cidadão, tendo a possibilidade de aumentar a cobertura de atendimento, deixar que todos os profissionais estejam em uma frequência de rádio, cortar aluguéis, para que no futuro possam ser aumentados os números de serviços, melhorando equipamentos e outros fatores”, explica o coronel.
Mudanças geram preocupação entre os profissionais
Apesar das explicações do chefe do Samu, os profissionais da região ainda estão em dúvida se a integração será positiva. Uma das principais preocupações é com a folha de pagamento. O motorista socorrista do Samu Joceoni Lunard Pickler trabalha há quatro anos na unidade de Braço do Norte, que é gerida atualmente pelo município. Para ele, muitas questões precisam ser revistas. “Não estou convicto de que será uma boa mudança. A demanda vai ser maior para uma única central atender todo o Estado, sem contar que a secretaria de Saúde de Santa Catarina tem uma dívida alta, e não sabemos se conseguirá assumir mais essa conta”, analisa o socorrista. A coordenadora de enfermagem da mesorregião Sul, Maria Machado, e a coordenadora administrativa da mesorregião Sul, Rafaela Nabas, também acompanham o processo e estão receosas com o resultado. “É uma novidade. Muito bonito no papel, mas queremos ver na prática. Se o Estado custa a repassar os recursos, imagine como vai aplicar dinheiro nas adequações estruturais, rescisão de médicos e funcionários e tantos outros impasses que serão gerados com a integração”, alertam.
Adaptações
Bombeiros abrigarão Samu
Hoje toda a estrutura custa cerca de R$ 110 milhões anuais aos cofres do governo estadual. Com o novo modelo, o Estado pretende economizar cerca de 10% dos custos, com a redução de oito centrais regionais para uma central unificada. Em Tubarão, as unidades do Samu já estão instaladas em espaços do Estado e não pagam aluguel. Para o comandante do 8º batalhão do Corpo dos Bombeiros, coronel Marcos Aurélio Barcelos, em Tubarão o trabalho já é feito em conjunto. “Sabemos que a integração é fundamental e ocorrerá de forma gradativa, já que são sistemas diferentes. Nos primeiros meses teremos transtornos como qualquer mudança gera, mas estaremos unidos para prestar o melhor atendimento possível às pessoas”, afirma. Ele ressalta que o quartel já abriga uma unidade de atendimento básico e que a outra estrutura também já está bem alocada, sem ônus ao município.
Números da futura rede pré-hospitalar de Santa Catarina
– 23 Unidades de Suporte Avançado (Samu)
– 40 Unidades de Suporte Intermediário (Corpo de Bombeiros)
– 96 Unidades de Suporte Básico (Samu)
– 2 helicópteros (Bombeiros)
– 1 avião (Bombeiros)
– 89 Auto Socorro de Urgência (ambulâncias básicas dos bombeiros)
– 74 ambulâncias dos bombeiros voluntários
– 1 Central de Regulação

