quarta-feira, 15 julho , 2026

Santa Catarina tem municípios com alto risco de transmissão de dengue, zika e febre de chikungunya

O Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa), divulgado hoje (21) pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC), da Secretaria de Estado da Saúde, revela que 11 municípios (12%) infestados pelo mosquito apresentam alto risco de transmissão de dengue, zika e febre de chikungunya. Os dados do LIRAa também mostram que 39 municípios (42,4%) apresentam médio risco e 44 (45,7%) apresentam baixo risco de transmissão das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Conforme definido na Estratégia Operacional do Estado de Santa Catarina, os municípios considerados infestados pelo mosquito devem realizar o LIRAa duas vezes ao ano. Ao todo, 92 municípios realizaram o levantamento. Florianópolis e Jaraguá do Sul são considerados infestados, mas ainda não encaminharam os resultados da atividade.

LIRAa

O levantamento inspecionou 78.785 recipientes que continham água parada, ou seja, potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti. A maioria era de recipientes móveis, como baldes e vasos de planta (36,9%). Em segundo lugar, estão o lixo e a sucata (32,8%). “Esses dados revelam o quanto todos temos que estar atentos ao ambiente. É preciso manter os quintais limpos e descartar corretamente o lixo. Apesar desses recipientes serem os mais comuns, não podemos esquecer também de manter a caixa d’água fechada e as calhas limpas”, alerta João Fuck gerente de zoonoses da DIVE/SC.

O objetivo do LIRAa é a identificação do tipo e a quantidade de depósitos encontrados que possam ser potenciais criadouros do mosquito nos imóveis vistoriados. A atividade foi desenvolvida pelo Ministério da Saúde (MS) em 2002, sendo realizada pelos municípios considerados infestados pelo Aedes aegypti. O levantamento é realizado por meio da visita a um determinado número de imóveis do município, onde ocorre a coleta de larvas para definir o Índice de Infestação Predial (IIP).

Classificação dos municípios quanto ao risco de transmissão de dengue, zika vírus e febre chikungunya. Santa Catarina, 2018/2019*.

Risco

Nov/18

Nov/19

Municípios

%

Municípios

%

 

BaixoRisco (menor que 0,9)

43

58,1

42

45,7

 

MédioRisco (entre 1,0 e 3,9)

28

37,8

39

42,4

 

Altorisco (acima de 3,9)

3

4,1

11

12

 

Total

74

100

92

100

  • Fonte: LIRAa/LIA (*com informações até o dia 21/11/2019).

Situação dos municípios, segundo Índice de Infestação Predial (IIP). LIRAa/LIA. Santa Catarina, novembro/2019*.

Baixorisco

Médiorisco

Altorisco

Araranguá

AbelardoLuz

BomJesus

Bandeirante

Aguasde Chapecó

Caibi

Belmonte

AguasFrias

Camboriú

Biguaçu

Anchieta

CoronelFreitas

Bombinhas

BalneárioCamboriú

Irati

Brusque

BomJesus do Oeste

NovaErechim

Campoere

Caxambudo Sul

Quilombo

Camposnovos

Chapecó

SantaHelena

Catanduvas

CoronelMartins

Santiagodo Sul

Concórdia

Cunhataí

SãoBernardino

CordilheiraAlta

DionísioCerqueira

SãoCarlos

CunhaPorã

Galvão

Descanso

Guarujádo Sul

Florianópolis

Guatambu

Formosado Sul

Iporãdo Oeste

Guaraciaba

Ipuacu

Itá

Iraceminha

Itapiranga

Itajaí

Jaraguádo Sul

Itapema

Joinville

Jardinópolis

Jupiá

Maravilha

LajeadoGrande

Modelo

Mondai

Navegantes

NovoHorizonte

NovaItaberaba

Palhoça

OuroVerde

PalmaSola

Palmitos

Paraíso

PassosMaia

Passode Torres

Pinhalzinho

Penha

PortoBelo

PlanaltoAlegre

Princesa

PortoUnião

Saltinho

Riqueza

SãoDomingos

Romelândia

SãoLourenco do Oeste

SantaTerezinha do Progresso

SãoMiguel do Oeste

SãoJoão do Oeste

Seara

SãoJosé

Tunápolis

SãoJosé do Cedro

Uniãodo Oeste

SãoMiguel da Boa Vista

Xanxerê

Saudades

Xaxim

SerraAlta

Sombrio

SulBrasil

Tigrinhos

Vargeão

Xavantina

  1. Fonte: LIRAa/LIA (*com informações até o dia 21/11/2019).

No LIRAa do mesmo período do ano passado, três municípios da região Oeste apresentavam alto risco para transmissão das doenças. Outros 28 municípios apresentavam médio risco e 43, baixo risco. Os novos dados demonstram um aumento nos municípios classificados com alto e médio risco. Em novembro de 2018 foram 44% dos municípios nessa condição, enquanto nesse ano o percentual subiu para 54,3%.

Conforme definido na Estratégia Operacional do estado de Santa Catarina, os municípios infestados devem realizar a atividade duas vezes ao ano, nos meses de março e novembro.

Prevenção

Os vírus que causam dengue, febre de chikungunya e zika são transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti. Elas apresentam sinais e sintomas parecidos, mas têm níveis de gravidade diferentes. 

O mosquito se reproduz em locais que apresentam água parada, assim a melhor estratégia de prevenção é eliminar os potenciais criadouros. O uso de inseticidas para eliminar o mosquito adulto apresenta baixa eficácia, tendo em vista que dependem de fatores como condições climáticas, equipamentos utilizados e contato com o mosquito. Assim, essa medida é apenas complementar, utilizada em situações específicas e com recomendação técnica. 

O que fazer?

• Evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usar, coloque areia até a borda;

• Guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;

• Mantenha lixeiras tampadas;

• Deixe os tanques utilizados para armazenar água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;

• Plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água.

• Trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;

• Mantenha ralos fechados e desentupidos;

• Lave com escova os potes de comida e de água dos animais, no mínimo uma vez por semana;

• Retire a água acumulada em lajes;

• Limpe as calhas, evitado que galhos ou outros objetos não permitam o escoamento adequado da água;

• Dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em vasos sanitários pouco usados e mantenha a tampa sempre fechada;

• Evite acumular entulho, pois podem se tornar criadouros do mosquito.

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