Santa Catarina concluiu a limpeza e a desinfecção das três granjas comerciais de perus onde foram identificados casos da doença de Newcastle. Agora, o Estado e o Ministério da Agricultura e Pecuária aguardam resultados de análises laboratoriais para avançar nos estudos que podem permitir a retomada das exportações de carne de aves.
Os focos foram confirmados em 18 de outubro, nos municípios de Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, no Oeste catarinense. A ocorrência provocou restrições comerciais impostas por diferentes países aos produtos da avicultura brasileira.
As propriedades passaram pelo despovoamento dos animais, limpeza e desinfecção das instalações. Atualmente, estão em período de vazio sanitário, quando permanecem sem aves até que haja segurança para receber novos lotes.
Granjas passam por vazio sanitário após desinfecção
O trabalho foi coordenado pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), órgão responsável pelas ações de defesa agropecuária no Estado.
Além das três propriedades onde os focos foram identificados, equipes realizaram inspeções e análises laboratoriais em mais de 200 propriedades da região.
A área de emergência zoossanitária também abrangeu o município de Águas Frias.
O vazio sanitário é uma etapa importante do controle da doença. Nesse período, as instalações permanecem sem animais, enquanto os órgãos responsáveis acompanham as condições sanitárias das propriedades.
Desde a identificação dos focos, os órgãos de fiscalização informaram que não foram encontradas aves doentes, mas a circulação do vírus foi confirmada.
Restrições atingiram exportações de carne de aves
A confirmação da doença de Newcastle provocou medidas comerciais em diferentes mercados internacionais.
México e Uruguai suspenderam totalmente as importações de produtos avícolas brasileiros. Outros países, como China e Arábia Saudita, adotaram restrições direcionadas à carne de aves de Santa Catarina ou da região onde os focos foram registrados.
Com o avanço das medidas de controle sanitário, o México foi o primeiro país a anunciar a retomada das importações de produtos avícolas do Brasil.
A liberação dos demais mercados depende das avaliações sanitárias e das decisões de cada país importador.
A expectativa agora está concentrada na conclusão das análises laboratoriais e na elaboração de estudos estatísticos pelo Ministério da Agricultura e pelo governo catarinense.
Análises laboratoriais aguardam conclusão
Até o momento, foram realizadas 91 análises laboratoriais. Duas amostras ainda aguardam a conclusão do sequenciamento genético.
Os resultados são esperados ao longo desta semana e devem contribuir para a avaliação da situação sanitária da região.
Enquanto isso, a operação de controle continua com quatro barreiras de fiscalização. As equipes atuam na inspeção e desinfecção de veículos que circulam pela área monitorada.
Segundo a Cidasc, aproximadamente 68 profissionais participam das atividades. O grupo reúne médicos-veterinários, técnicos, assistentes e integrantes das forças de segurança.
Educação sanitária também faz parte das ações
Além da fiscalização nas propriedades e nas estradas, os órgãos responsáveis mantêm atividades de orientação sanitária.
Na última semana, as ações alcançaram milhares de estudantes e dezenas de estabelecimentos agropecuários.
A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a doença e reforçar medidas preventivas para proteger a saúde animal.
As atividades educativas devem continuar nas próximas semanas, conforme informou a Cidasc.
O que é a doença de Newcastle?
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres. Em determinadas situações, pode provocar quadros graves e até a morte dos animais.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com aves infectadas e materiais contaminados.
Em seres humanos, a doença pode provocar conjuntivite transitória, geralmente com duração aproximada de uma semana.
Conforme as orientações sanitárias divulgadas pelas autoridades, a transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo de carne de aves.
A doença exige atenção especial da cadeia produtiva, principalmente pelos impactos que pode provocar na produção e no comércio internacional de produtos avícolas.

