Projeto da Embrapa propõe articular os saberes locais com a conservação e o uso sustentável do butiá. Evento ocorre neste sábado, a partir das 9 horas, na Acordi
Lysiê Santos
Imbituba
Quem passa pelas rodovias do Litoral Sul encontra no decorrer do trajeto diversos ambulantes que comercializam “saquinhos” com um fruto amarelo com um sabor adocicado. O famoso butiá pode ser consumido in natura ou na forma de sucos, geleias, sorvetes, iogurtes e bolos, além da produção artesanal da “cachaça com butiá”. No Sul do Brasil, o butiazeiro também é usado em larga escala para paisagismo urbano.
Da semente, pode ser extraído óleo para uso culinário e a castanha do butiá é muito apreciada principalmente por crianças. Seu estipe, de boa durabilidade, é usado em construções rústicas e as fibras das folhas, para a fabricação de chapéus, cestos, cordas e enchimentos de colchões e estofados.
Nativa e outrora abundante no Litoral Sul catarinense e na costa Norte do Rio Grande do Sul, a palmeira Butiá catarinensis agora se encontra na lista de tantas espécies da Mata Atlântica ameaçadas de extinção. Para sensibilizar o público em prol do uso e manejo consciente do fruto e dar visibilidade aos seus usos gastronômicos e artísticos, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), juntamente com a Apa da Baleia-Franca, Associação Comunitária Rural de Imbituba (Acordi), Instituto Federal de Santa Catarina (Ifsc) Garopaba e o Projeto Butiá Catarinensis promovem o 4º Seminário da Rota dos Butiazais – Butiás: do colchão de crina à Rota dos Butiazais.
O evento ocorre neste sábado, a partir das 9 horas, no Barracão da Acordi, nos Areais da Ribanceira. “Sediar este encontro não significa apenas comemorar a colheita do butiá, mas discutir os aspectos relacionados ao seu manejo e à manutenção do patrimônio imaterial que o envolve”, destacam os membros da Acordi. A participação no seminário é gratuita, mediante inscrições antecipadas.
Oficinas e feiras incentivam manejo sustentável
O evento conta com uma ampla programação com destaque para a oficina “Mapeamento Comunitário dos Butiás”, que será realizada pelo Ifsc de Garopaba, a apresentação dos resultados de pesquisas realizadas pelo Laboratório de Ecologia Humana e Etnobotânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) nos Areais da Ribanceira, e esclarecimentos sobre o transplante de butiás e a Instrução Normativa que vem sendo elaborada para viabilizar esta atividade, além da apresentação do documentário “Amamos Butiá” e da conversa sobre a Fortaleza do Butiá Sem Fronteiras, do Movimento Slow Food. Tudo combinado com receitas saborosas preparadas com esta frutinha que povoa as memórias de quem nasceu ou vive no sul do Brasil. Além da Feira de Artesanato Butiá Catarinensis com exposição dos produtores de Imbituba, Laguna e Garopaba.
Projeto Butiá Catarinensis conserva bem natural
Formado em 2016, o Projeto Butiá Catarinensis contribui na organização do seminário com o objetivo de articular propostas para garantir o saber fazer desse bem patrimonial, criando novas oportunidades e interagindo com a comunidade para o desenvolvimento de produtos, onde a cultura das comunidades tradicionais possam ganhar vida, forma e cor.
O Ifsc Garopaba participa do evento através do Projeto de Extensão “Caminhos do Butiá catarinensis”, que tem como objetivo estruturar uma rede de pessoas que trabalham direta ou indiretamente com o Butiá catarinensis, desenvolvendo atividades de integração e geração de renda sob o viés da economia solidária, contribuindo com a valorização e conservação da espécie. O projeto visa ainda a elaboração de roteiros de turismo cultural/gastronômico com foco nesta espécie, como forma de valorização e divulgação da necessidade de preservação dos butiazais remanescentes.
