Aos 53 anos, o lagunense Elvis Palma se divide entre o trabalho e a cobertura de tudo o que ocorre na cidade.
Willian Reis
LAGUNA
Nos últimos anos, o lagunense se acostumou a ver a cidade pelas lentes e pelo olhar de Elvis Palma. Funcionário público estadual, aos 53 anos suas publicações nas redes sociais se tornaram leitura diária obrigatória: tudo o que de mais interessante ocorre em Laguna, está lá. Com sua inseparável máquina fotográfica, ele é como um repórter para todas as horas.
É fácil constatar sua popularidade. Em poucos minutos caminhando pela rua, Elvis já é parado por um ou outro, que o sugere alguma pauta ou o cumprimenta pelo trabalho, com comentários como “Elvis brota do chão”, “É um paparazzo”, “É a maior celebridade da cidade”.
Os números também comprovam o seu sucesso. No Facebook, são cinco mil amigos e quase 12 mil seguidores em seu perfil pessoal e 16,3 mil curtidas em sua FanPage. No Instagram, ele contabiliza 4,8 mil seguidores. Mas quem vê números tão altos mal sabe que esta nova faceta de Elvis nasceu por acaso.
Supervisor regional do Sine em Laguna, há seis anos ele comprou uma câmera digital compacta, apenas para registrar as viagens que fazia pelo Estado a trabalho e uma ou outra paisagem que lhe chamasse a atenção na cidade. Até que um dia, dois anos depois, o fotógrafo Ronaldo Amboni deu a ele a ideia de comprar uma câmera mais sofisticada, profissional.
Não demorou muito tempo, e Elvis já estava postando na internet suas fotos de natureza e dos tantos pontos turísticos de sua Laguna natal. Foi o bastante para que seu trabalho ganhasse a rede – e muitos seguidores. Das belezas locais, com o tempo suas publicações foram se tornando mais jornalísticas, ao trazer à tona situações que poucos conheciam.
Elvis começou a flagrar os problemas que atrapalham a vida dos moradores e cobrar soluções. Quase sempre dá resultado, ele garante. Mas, hoje, com tamanha repercussão, às vezes é a notícia que o procura. São internautas que o abastecem de informações ou outros órgãos públicos, como as polícias, que, não raro, lhe passam fatos em primeira mão. Suas fotos também são cedidas para os demais veículos de impressa. Até mesmo o Clarín, da Argentina, já contou com seu trabalho.
Elvis tem site próprio e participa de programa de rádio
Em meio ao seu expediente no Sine, das 13 às 18 horas, Elvis ainda mantém um site e participa de segunda a sexta de um programa de rádio, todas as manhãs, das 7 às 9h. Por conta própria, ele tenta cobrir os acontecimentos na cidade. Só ganha algum dinheiro com isso em coberturas fotográficas de eventos, ainda que em uns trabalhe de graça.
Seu dia começa cedo. Por volta das 5 horas já está de pé e de olho nas redes sociais, à caça das novidades, às vezes em meio aos protestos da mulher Cristhiane, com quem está casado há 33 anos. “Não consigo desligar da rede. Às vezes ligo escondido dela”, brinca. Elvis lê todos os comentários dos internautas, e vez ou outra recebe algum pedido, geralmente de político, para que exclua alguma postagem mais polêmica. Garante que mantém tudo o que publica.
Agenda para eventos está lotada até ano que vem
Formado em Administração, Elvis tem dois filhos e dois netos. Ele deve se aposentar do serviço público no fim de 2021 e então quer se dedicar ainda mais à fotografia. “Não esperava tanta repercussão. Às vezes assusta”, diz. Sua agenda de eventos, por exemplo, está lotada até o próximo ano. Além disso, recebeu convite para ser vereador na última eleição. Não quis, mas a proposta não está de todo descartada.
Neste sábado, quando Laguna completa 341 anos de fundação, Elvis sonha com uma cidade que, no futuro, saiba explorar sua vocação para o turismo. “É preciso uma explosão de desenvolvimento”, defende.

