Tubarão
“Cau, para você nota dez, para o espetáculo nota zero!”. A frase encerrou a fala do suplente a deputado federal Edson Bez de Oliveira. O político foi um dos que utilizou a tribuna da Câmara de Vereadores de Tubarão para prestar homenagens ao tubaronense Luiz Carlos Cancellier de Olivo, durante a sessão solene de homenagem póstuma realizada na tarde desta sexta-feira.
Depoimentos emocionantes, recordações e reivindicações marcaram a solenidade prestigiada por vereadores, autoridades municipais, estaduais, familiares e amigos do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc). Cau faleceu no último dia 2.
O desembargador Lédio Rosa de Andrade, durante sua fala usou a palavra fascismo para nomear a Operação Ouvidos Moucos. “O Estado desrespeitou o direito do cidadão. Produzir medo é a arma do fascismo. Queremos que os criminosos sejam punidos, mas punidos com democracia”, afirmou emocionado ao lembrar-se do amigo.
O jornalista Moacir Pereira também participou da sessão e destacou o ‘sensacionalismo’ feito pela mídia sobre o assunto que envolveu o ex-reitor e a universidade federal. “Manchetes sensacionalistas foram replicadas até depois da morte de Cau. Santa Catarina continua comovida com a brutal, injusta e desnecessária prisão do ex-reitor. E a título de informação, o inquérito está parado”, relatou Pereira.
O irmão do homenageado e jornalista Júlio Cancellier, lembrou que Cau tinha muito orgulho de sua cidade natal, tanto que ainda votava em Tubarão, apesar de morar há muitos anos em Florianópolis.
E fez um alerta: “Seis mil alunos do ensino a distância da Ufsc estão correndo o risco de perder seus estudos. O programa está sem recursos. Oitenta desses alunos estudam em Tubarão”. A Ufsc possui na cidade um polo avançado, na Escola Leoclides Zandavalle – Caic, com os cursos de Física e Ciências Biológicas.
O presidente do legislativo, Pepê Collaço (PP), reafirmou que todo cidadão tem direito à ampla defesa. “Os excessos jamais podem imperar em um estado de direito democrático. Que não se confunda essa sessão com uma forma de calar o combate à corrupção, mas que se combata a corrupção respeitando os direitos. Só mantendo os direitos de cada cidadão é que vamos fazer um país melhor”, analisou Pepê.
Ao final da sessão, o presidente da Associação Catarinense de Imprensa, Ademir Arnon, entregou a Júlio Cancelier, irmão de Luiz Carlos, uma placa com uma homenagem póstuma.
Ex-reitor foi investigado pela Polícia Federal
O ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, afastado do cargo, cometeu suicídio no último dia 2, no vão central de um shopping, no centro de Florianópolis. Nascido em Tubarão, Cancellier, que foi sepultado na capital, e outras seis pessoas chegaram a ser presas no mês passado durante a Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, que apura desvio de recursos em cursos de Educação a Distância (EaD) na Ufsc. O reitor afastado do cargo era suspeito de tentar interferir nas investigações internas feitas pelo corregedor-geral, Rodolfo Hickel do Prado. Assim que a notícia se espalhou, diversas entidades emitiram nota de pesar, muitas delas relacionando o suicídio à forma como o processo foi conduzido. “As informações indicam que Cancellier padeceu sob o abuso de autoridade, seja em relação ao decreto de prisão temporária contra si expedido, seja em relação à imposição de afastamento do exercício do mandato, causas eficientes do dano psicológico que o levaram a tirar a própria vida. Que o legado do professor seja também o de ter exposto ao país a perversidade de um sistema de justiça criminal sedento de luz e fama, especializado em antecipar penas e martirizar inocentes”, diz trecho do texto da Procuradoria-Geral do Estado.

