IMAGEM Senado Federal Divulgação Notisul
Tempo de leitura: 6 minutos
A chegada de setembro amplia a mobilização pela prevenção ao suicídio e pelos cuidados com a saúde mental. No Sul de Santa Catarina, o Setembro Amarelo reforça, nas secretarias municipais da saúde, uma mensagem que precisa permanecer durante todo o ano: sofrimento emocional deve ser levado a sério, e procurar ajuda profissional é uma medida de cuidado.
Para moradores de cidades como Tubarão, Criciúma, Laguna, Imbituba, Araranguá e Braço do Norte, entre outros municípios da região, a rede pública de saúde é um dos caminhos para buscar atendimento. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188.
Setembro Amarelo amplia debate sobre saúde mental
O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização voltada à prevenção ao suicídio.
A mobilização busca reduzir preconceitos relacionados à saúde mental, estimular conversas responsáveis e divulgar caminhos de atendimento para pessoas que enfrentam momentos de sofrimento.
O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é lembrado em 10 de setembro. Apesar da concentração das campanhas neste período, prevenção e assistência não devem ficar restritas a um único mês.
No Sul catarinense, isso significa também aproximar a população dos serviços disponíveis nas redes municipais de saúde.
Cenário de SC reforça importância da prevenção
Dados estaduais ajudam a dimensionar a importância do assunto.
Conforme informações da Secretaria de Estado da Saúde apresentadas no material de referência, Santa Catarina registrou em 2024 uma taxa de mortalidade por suicídio de 14,43 óbitos para cada 100 mil habitantes.
O número corresponde ao Estado e não deve ser interpretado como uma taxa específica do Sul catarinense.
Para estabelecer índices de regiões como Amurel, Amrec ou Amesc, seria necessário reunir dados atualizados dos municípios e calcular as taxas de acordo com a população de cada território.
Da mesma forma, rankings de cidades exigem cautela. Número absoluto de mortes e taxa por 100 mil habitantes são indicadores diferentes, principalmente quando se comparam municípios de tamanhos distintos.
Alguns comportamentos merecem atenção
Não existe um único comportamento capaz de determinar que uma pessoa esteja em risco. Entretanto, mudanças persistentes de comportamento e manifestações de sofrimento não devem ser ignoradas.
Isolamento, desesperança, perda de interesse por atividades habituais e mudanças importantes na rotina podem indicar que alguém precisa de atenção. Falas relacionadas à morte, vontade de desaparecer ou sentimento de ser um peso para outras pessoas devem ser levadas a sério.
Familiares e amigos não precisam fazer diagnósticos. A atitude mais importante é acolher, ouvir sem julgamento e ajudar a pessoa a chegar até atendimento profissional.
Como ajudar uma pessoa em sofrimento emocional
Ouvir pode ser um primeiro passo. Comentários que diminuem o sofrimento, fazem comparações ou apresentam a situação como falta de força de vontade podem dificultar a procura por ajuda.
Também não é necessário tentar resolver sozinho o problema. O apoio de familiares e amigos pode contribuir para aproximar a pessoa de profissionais e serviços preparados para oferecer acompanhamento.
Quando houver risco imediato, a prioridade deve ser procurar atendimento de urgência. Nessa situação, a pessoa não deve permanecer sozinha.
Por que a imprensa tem cuidados ao noticiar suicídios?
A forma como suicídios são abordados pela imprensa também faz parte da discussão sobre prevenção.
Não existe um segredo de Justiça genérico que impeça a divulgação dessas mortes. Determinados casos podem ter restrições próprias, mas os cuidados adotados pelas redações estão ligados principalmente à ética jornalística e às recomendações de saúde pública.
Entre as práticas recomendadas estão evitar sensacionalismo, não detalhar métodos, não divulgar mensagens de despedida e preservar vítimas e familiares.
Outro cuidado importante é não tentar explicar um suicídio por uma única causa.
Separações, problemas financeiros, conflitos familiares ou dificuldades profissionais, por exemplo, não devem ser apresentados isoladamente como motivo de uma morte.
O suicídio é um fenômeno complexo e pode envolver diferentes fatores.
Cobertura responsável também pode contribuir para prevenção
Evitar detalhes de casos individuais não significa deixar de falar sobre suicídio.
A cobertura jornalística pode contribuir ao tratar o assunto como uma questão de saúde pública, divulgar informações confiáveis e apresentar caminhos para quem precisa de atendimento.
É também por isso que reportagens sobre o Setembro Amarelo no Sul de SC devem priorizar prevenção, acolhimento e acesso aos serviços.
O objetivo é informar sem transformar o sofrimento de uma pessoa ou família em exposição pública.
Onde procurar ajuda no Sul de Santa Catarina
Moradores de Tubarão, Criciúma, Laguna, Imbituba, Araranguá, Braço do Norte, Capivari de Baixo e dos demais municípios do Sul catarinense podem procurar a rede pública de saúde da própria cidade.
As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são uma das portas de entrada para atendimento pelo SUS.
Dependendo da necessidade e da organização de cada município, o acompanhamento também pode envolver os Centros de Atenção Psicossocial (CAPSs) e outros serviços especializados.
Outra opção é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito e confidencial pelo telefone 188, durante 24 horas.
Em situações de emergência ou risco imediato, é necessário procurar um serviço de urgência. O Samu atende pelo telefone 192.
Prevenção precisa continuar durante todo o ano
O Setembro Amarelo coloca o assunto em evidência, mas o cuidado com a saúde mental precisa fazer parte da rotina das famílias, comunidades e serviços públicos.
Combater preconceitos, facilitar o acesso ao atendimento e reconhecer situações de sofrimento são ações que podem contribuir para a prevenção.
No Sul de Santa Catarina, divulgar onde estão os serviços e como acessá-los também é uma forma de aproximar a rede de saúde de quem precisa dela.
Serviço: onde buscar ajuda
CVV — Centro de Valorização da Vida: telefone 188, gratuito, 24 horas.
SUS: procure uma UBS ou serviço de saúde mental do município.
CAPS: atendimento conforme a organização da rede de cada cidade.
Emergência: Samu pelo 192 ou serviço de urgência mais próximo.
Em caso de risco imediato: procure atendimento de urgência e não deixe a pessoa sozinha.

