Ao completar 100 anos, a Ponte Hercílio Luz segue como um dos principais símbolos de Santa Catarina. Hoje, além de cumprir função viária, a ponte também faz parte da paisagem cultural de Florianópolis e atrai visitantes de diferentes partes do Brasil. Depois de atravessar um século de transformações, a ponte continua de pé como testemunha da história de Florianópolis e como um símbolo da relação entre patrimônio, cidade e memória coletiva.
Inaugurada em 13 de maio de 1926, a obra mais icônica de Florianópolis, a Ponte Hercílio Luz, que liga a Ilha de Santa Catarina com a região continental, demorou quase quatro anos para ficar pronta e tornou-se o cartão postal da cidade.
Idealizada pelo então governador do estado, Hercílio Pedro da Luz, que acreditava que era preciso melhorar a comunicação da ilha com o resto do estado e do país, e diminuir a dependência do transporte marítimo, já que a cidade passava por mudanças econômicas e sociais. Na época, década de 20, havia uma pressão para que Florianópolis deixasse de ser a capital estadual justamente pela dificuldade de acesso a ela. Como solução, seria instalada uma ponte no Canal do Estreito, trecho que tem a menor distância entre a ilha e o continente.
A proposta inicial apresentada era de uma estrutura com viga treliçada, mas pela dificuldade de financiamento, (a obra custou mais de 14,4 milhões de contos de réis, cerca de de R$ 1,7 trilhão, dinheiro que saiu tanto dos cofres do estado quanto da União) ela foi substituída por uma ponte pênsil com olhal, assinada pelo americano David Barnard Steinman.
Homenagem
A construção iniciou, de fato, em 1922, e a fundação da ponte foi concluída em 1923. Aos poucos, o projeto ia saindo do papel e a construção, tomando forma. Mas à medida que o tempo ia passando, a saúde do governador ia piorando. Ele sofria de câncer de estômago. Como não havia tempo hábil para que ele pudesse ver a construção finalizada, a solução foi uma inauguração simbólica. E no dia 8 de outubro de 1924, recentemente chegado de Paris, onde havia buscado tratamento para a doença, Hercílio Luz atravessou uma réplica de 18 metros de comprimento da estrutura instalada em frente ao trapiche. Ele faleceu 12 dias depois, aos 64 anos e, em sua homenagem, a ponte, que antes seria chamada de Ponte da Independência, passou a se chamar Ponte Hercílio Luz.
Pedágio
Quando a ponte foi inaugurada, em 13 de maio de 1926, Florianópolis tinha cerca de 40 mil habitantes. Havia poucos carros nas ruas e o tráfego sobre a estrutura recém-aberta era, em sua maioria, com autobonde, veículos de tração animal e a pé e cada pessoa deveria pagar uma taxa. Havia taca também para quem estivesse carregando bagagens. O dinheiro seria para cobrir o investimento feito. A cobrança foi suspensa em 1935.
Com a especulação imobiliária nas regiões próximas a ponte, os trabalhadores mais pobres passaram a morar nas encostas dos morros, e isto deu início a um processo de transformação social e cultural.
Interdição e reabertura
A ponte pênsil foi interditada totalmente para veículos e pedestres em 1982 por causa da deterioração de uma das centenas de barras de olhal. Ela chegou a ser parcialmente reaberta em 1988, e foi novamente fechada em 1991.
Em 1992, a obra foi tombada como Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Município de Florianópolis e inscrita no Livro do Tombo Histórico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em agosto de 1998.
Em março de 2020, a ponte Hercílio Luz foi novamente liberada para o tráfego de veículos e pedestres.
Números da ponte:
- A estrutura tem 821 metros de extensão e a largura do vão central é de 15,92 metros;
- É formada pelos viadutos de acesso do Continente, com 222,5 metros, e da Ilha, com 259 metros, e pelo vão central pênsil com extensão de 339,5 metros;
- A altura das torres principais é de 74,21 metros;
- A altura do vão pênsil em relação ao nível de maré média é de 30,86 metros;
- São 28 vãos sustentados por duas torres principais e 12 secundárias, sendo as principais com 74 metros de altura.

