Tempo de leitura: 4 minutos
O secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Simon Stiell, abriu oficialmente a Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30) com um discurso voltado à implementação das medidas já acordadas em conferências anteriores e à necessidade de cooperação global efetiva.
A fala reforçou a posição do embaixador André Corrêa do Lago, presidente da conferência no Brasil, que desde o início do ano defende que esta deve ser a COP da implementação.
Crítica à falta de compromisso e alerta econômico
Stiell enviou um recado indireto aos países que se afastaram dos acordos climáticos, como os Estados Unidos durante o governo Donald Trump, ao afirmar que “aqueles que optam por ficar de fora ou dar passos tímidos enfrentam estagnação e preços mais altos, enquanto outras economias avançam rapidamente”.
Natural de Granada, no Caribe, o secretário destacou que o mundo precisa definir como fará a transição dos combustíveis fósseis para fontes de energia limpa, ressaltando a urgência de uma ação global coordenada.
“Já concordamos que vamos fazer a transição dos combustíveis fósseis. Agora é o momento de focarmos em como fazer isso de maneira justa e ordenada”, afirmou Stiell.
Transição energética e biocombustíveis
O secretário também defendeu a triplicação das energias renováveis e o dobro da eficiência energética mundial, mas não mencionou os biocombustíveis, ponto defendido pelo governo brasileiro.
O Brasil tenta incluir o tema na agenda oficial da conferência, defendendo a quadruplicação da produção de biocombustíveis até 2035. No entanto, países europeus resistem, alegando que o cultivo de matéria-prima para combustíveis pode competir com a produção de alimentos.
Crítica às metas climáticas (NDCs) e financiamento verde
Stiell também cobrou avanços no financiamento climático global, com base no “Roteiro de Baku a Belém para 1,3 Trilhão”, documento elaborado pelas presidências da COP-29 (Azerbaijão) e COP-30 (Brasil). A proposta prevê US$ 1,3 trilhão em investimentos de países ricos para o combate às mudanças climáticas.
O secretário da ONU criticou o atraso no envio das NDCs (metas nacionais de redução de emissões) e defendeu que o mundo não espere por novas promessas para agir.
“Não precisamos esperar que as NDCs atrasadas cheguem lentamente para identificar a lacuna e projetar as inovações necessárias para resolvê-la.”
“A COP deve funcionar como o Rio Amazonas”
Encerrando seu discurso, Stiell comparou a conferência ao Rio Amazonas, símbolo da biodiversidade e da interdependência ambiental.
“A COP é como o Amazonas: um vasto sistema fluvial sustentado por milhares de afluentes. Para acelerar a implementação, o processo deve ser apoiado da mesma maneira — com cada país contribuindo com seu fluxo de ação.”

