Tubarão
A regional do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Estadual (Sinte) em Tubarão promoveu um debate para discutir a Medida Provisória (MP) 746, lançada pelo governo federal, que trata da reforma do ensino médio. As mudanças afetam conteúdo e formato das aulas, e também a elaboração dos vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Hoje, será promovida uma audiência pública para discutir o assunto na Assembleia Legislativa. Professores de toda a região participam do debate em Florianópolis.
De acordo com a coordenadora do Sinte na Cidade Azul, Tânia Fogaça, o assunto é delicado e precisa de muita discussão. “Os principais afetados por tal medida, professor e aluno, não foram ouvidos. A iniciativa prejudica quando exige a educação em tempo integral para os alunos. Milhares de jovens de 15 a 17 anos trabalham para ajudar a família. Como ficarão com essa exigência de estudar o dia todo?”, indaga a professora.
O docente Gilvan Luiz Machado Costa, doutor em educação, palestrante do evento, acredita que essa medida é um retrocesso histórico e comunga com a ideia de que o tema precisa de muito debate, afinal é a educação do país que está em jogo. “Existem questões nessa medida provisória que nos fazem voltar aos anos 70. O governo deveria se preocupar é com medidas para valorização do professor, reestruturação das escolas, fortalecimento da qualidade de ensino. A mudança curricular, por exemplo, é matéria complexa, é estruturante, é parte de um projeto educacional e precisa ser construída socialmente, liderada por especialistas em comum acordo com os estados, escolas, universidades, educadores e estudantes”, explica Gilvan.
Ele ressalta que outros pontos também são divergentes. “O mesmo governo que cria a MP-746 que pretende exigir mais investimentos na educação, cria paralelamente a MP-241 que limita os mesmos investimentos”, destaca.
“Resultado foi catastrófico”
Os especialistas acreditam que a mais perigosa mudança curricular nesta proposta é a profissionalização compulsória do ensino médio similar à implementada pela ditadura militar no país pela LDB 5.692/1971.
“O resultado foi catastrófico. Reeditar a profissionalização da formação básica dos jovens, profissionalizando precocemente os adolescentes de 14 a 17 anos, agrava o que já é discutível no ingresso ao ensino superior: definir-se e optar por uma profissão com 17 e 18 anos. Não é apenas um equívoco, é uma irresponsabilidade para com as atuais e futuras gerações de jovens, iludidas por uma formação profissionalizante e instrumental, fadados ao insucesso e à infelicidade como pessoas”, afirma o Doutor em educação filósofo, educador e pesquisador do Ensino Médio e Educação Profissional, Gabriel Grabowski.

