Amanda Menger
Tubarão
Dados de uma pesquisa realizada em julho pelo Google, aponta que há no Brasil 24 milhões de perfis ativos no site de relacionamento Orkut. Boa parte é criança e adolescente, mesmo que oficialmente só maiores de 18 anos possam ter contas no Orkut. É o caso de Eloise Laurentino Mendes, 10 anos, de Tubarão. Há alguns meses, a mãe, Jaqueline Vieira, permitiu que a menina criasse um perfil. “Ela só acessa quando eu ou as tias estamos por perto. Já o MSN, é para falar com colegas de aula e familiares”, afirma Jaqueline.
A preocupação de Jaqueline é a mesma do comerciante Mauro Vellozo, de Jaguaruna. Pai de duas adolescentes, de 13 e 16 anos, apenas a mais velha tem Orkut. “Eu tenho a senha e, se tem algum amigo desconhecido, excluo. Por melhor que seja a orientação pedagógica e religiosa, os adolescentes são muito mais espectadores de seus amigos e da moda do que seus pais”, pondera Mauro.
E essa vigilância não é à toa. É comum pedófilos passarem-se por crianças e criarem perfis falsos para ganhar a confiança delas. Uma história semelhante à vivida pela família de uma professora de Tubarão. Um garoto de 11 anos foi assediado por um jovem de 23 anos que conheceu em uma loja de informática. “Meu filho tinha ido com um amigo de escola comprar jogos de computador. Dias depois, desconfiei das conversas no MSN. Quando tive certeza do que estava ocorrendo, fui à delegacia e fiz queixa. Era a quarta mãe a fazer isso. Um tempo depois, teve uma audiência, mas o caso foi arquivado. Nos outros, o juiz determinou o pagamento de cestas básicas”, conta a mãe.
Depois do caso, as regras para o uso de internet na casa da professa ficaram ainda mais rígidas. “Internet só até as 21 horas e as conversas do MSN são gravadas. Orkut ele tem há poucos meses e eu controlo quem são os amigos, as fotos e as conversas também. Os pais têm que estar muito atentos”, alerta a professora.

