Silvana Lucas
Laguna
Os pescadores da região sul de Santa Catarina seguem na espera de notícias que podem mudar novamente o destino dos trabalhadores do setor.
Uma decisão é aguardada, depois que representantes da pesca do estado se reuniram ontem com o ministro da Pesca e Aquicultura, Helder Barbalho e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em Florianópolis. O encontro foi realizado para discutir a revisão da portaria número 445, emitida no fim do ano passado, que proíbe a captura de 90 tipos de peixes incluídos na lista das espécies em extinção.
“Esta portaria não vai funcionar”, declara o presidente do Sindicato dos Pescadores do Complexo Lagunar (Sindipesca), Gilberto Fernandes da Silva.
Ele afirma que os sindicalistas da Cidade Juliana apoiam o Sindicato dos Armadores e Indústria da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi). A medida prejudicará não somente os pescadores industriais, mas também os artesanais.
“A pesquisa na qual foi baseada a resolução não faz parte da nossa realidade. Anchovas, tainhas, linguados e outros peixes listados na proibição não estão extintos. O que pode ser realizado para melhorar as condições da pesca do estado seria mais fiscalização da reserva extrativista da Lagoa dos Patos no Rio Grande do Sul. Local em que se pesca o ano inteiro sem respeito aos defesos”, reivindica Gilberto.
Grupos de trabalhos
O secretário estadual da agricultura e da pesca, Airton Spies e o ministro Helder Barbalho iniciaram um diálogo sobre a aplicação da portaria e o encaminhamento das prioridades para o desenvolvimento da pesca e aquicultura catarinense. O ministro garantiu a participação de cinco representantes dos trabalhadores e armadores da pesca em um grupo de trabalho para discutir a situação das espécies de interesse comercial no país. O secretário lembra que para o desenvolvimento sustentável do setor pesqueiro é necessário um ordenamento que permita a manutenção dos estoques de peixes no mar e nos rios, e a sua exploração econômica. “Além de oferecer um alimento saudável para a população, o setor é responsável pela geração de mais de 30 mil empregos diretos”.

