Michell F. Sombrio
Funcionário público
michell_sombrio@hotmail.com
A população mundial vem crescendo muito a cada ano, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), até 2050 a nação global deve chegar a 9,3 bilhões e 66% viverá nas áreas urbanas. Um dado interessante em diversos aspectos, mas alarmante em diversos outros, pois sem uma boa estrutura teremos muitas deficiências em mobilidade urbana, poluentes, problemas ambientais, aquecimento global, desmatamento, queimadas, poluição do ar, do solo e da água, como resultado de séculos de negligência do homem, que só se deu conta disso recentemente. Sem falar nas desigualdades sociais e problemas de moradias. Tudo consequência de um crescimento desordenado e sem planejamento. Então, o que podemos fazer para salvar o nosso planeta sem prejudicar o desenvolvimento da humanidade?
Desde os primórdios da civilização, o homem busca formas de melhorar sua vida, diante disso o conceito de cidades inteligentes tem ganhado muita força em todos os continentes e está ligada com práticas sustentáveis, usando a tecnologia e inovação para melhorar a infraestrutura e tornar os centros urbanos mais eficientes e melhores de se viver. Com a comunicação e a internet as pessoas ficarão cada vez mais conectadas e as informações correrão ainda mais rápidas.
Analisando pessoalmente a primeira edição brasileira do maior evento sobre cidades inteligentes do mundo, que se realizou em Curitiba, o Smart City Expo World Congress (SCE), que acontece anualmente em Barcelona, sai convicto de que o caminho é utilizar tecnologia e inovar processos, cuidar dos recursos naturais, investir em energias renováveis para garantir qualidade de vida a população. Isso já é realidade em muitos países.
As novas tecnologias devem se tornar parte essencial para segurança, mobilidade, infraestrutura, mas precisa de implantação de políticas públicas mais amplas. Uma cidade só se tornara inteligente com instituições públicas mais inteligentes e o mercado mais eficiente, justo e democrático. Precisamos de gestores que busquem tecnologia e tenha capacidade de inovar e fazer uma boa gestão pública. Certamente o apoio social e da governança é o início do caminho para a difusão da sustentabilidade. Uma comunicação eficiente ajuda a promover um desenvolvimento com mais qualidade.
Algumas cidades ao redor do mundo podem nos inspirar pelos seus investimentos, planejamento e esforços em implantar essas novas tecnologias. Barcelona é um bom exemplo, com seu pioneirismo, transformou áreas industriais em espaços modernos com foco no desenvolvimento urbano, econômico e social.
Hoje já é comum para melhorar o problema de mobilidade o uso de bicicletas e veículos compartilhados, o usuário pega em um ponto da cidade e pode devolver em outro. Veículos elétricos e até dobráveis, ocupando bem menos espaço nas ruas. Semáforos que podem prever se haverá transito intenso e até mesmo enviar via satélite avisos com rotas alternativas e que mudam, de acordo com as condições do trânsito, seu tempo aberto e fechado. O deslocamento é um dos principais focos das cidades que pretendem ser mais inteligentes. Sem deixar de falar nas soluções para na segurança pública, com sistemas de monitoramento por câmeras com reconhecimento fácil de numeração de placas, para dar melhor tempo de resposta em investigações ou soluções de crimes. Programa de gestão energética, internet pública, práticas de governo aberto com aplicativos e plataformas de dados para a interação de governo e cidadão.
A participação da população se torna essencial nesse processo. Vancouver, no Canadá antes de traçar os planos para se tornar a cidade mais sustentável do mundo, abriu a discussão com seus moradores que deram suas sugestões de medidas sustentáveis, criando de forma participativa o Plano de Ação para Vancouver 2020.
Implementar soluções inovadoras é possível. Todas essas tecnologias devem ajudar as cidades em um de seus principais objetivos: tornar a vida das pessoas mais agradável e fácil de forma economicamente responsável e eficaz. O caminhado rumo às cidades inteligentes é a inovação, e a sustentabilidade será o fator chave e isso já é uma realidade.

