terça-feira, 31 março , 2026

Sob o aconchego do sigilo bancário (1)

Certas doenças e dinheiro ninguém gosta de dizer que tem; aquelas por preconceito, e dinheiro por medo de ser roubado ou alvo de assédio. Mas, se as pessoas escondem moeda, a maioria gosta de exibir uma bela casa, um carrão, enfim, mostrar status. Que outros motivos, então, justificariam o sigilo bancário, direito solenemente inscrito em nossa Constituição?

A norma da Receita Federal do Brasil (RFB) que obriga os bancos a informarem, a partir de 1º de janeiro, valores de movimentação mensal bancária de pessoas físicas que superem R$ 833,33, e de empresas acima de R$ 1.666,66, despertou reações indignadas e a manifestação do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, que considera inconstitucional a medida, baseada na lei complementar nº 105, que autoriza a RFB a ter acesso aos dados bancários dos contribuintes.

Compreensível a revolta de setores de uma sociedade onde demonstrações de honestidade como alguém devolver dinheiro ou objetos de valor perdidos são manchete de jornal. Mello disse que o automatismo da norma da Receita joga todos na vala comum.

Vala comuníssima e profunda seria o caso de dizer, sem risco de exagero, quando o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), ardoroso defensor da opacidade do dinheiro destinado aos sindicatos declara, a respeito da emenda – enfim, parcialmente aprovada – que dá poder ao Tribunal de Contas da União (TCU) de fiscalizar os recursos repassados às centrais sindicais: “Contra essa emenda nós vamos até a morte”.

O poderoso lobby das federações empresariais que recebem recursos públicos destinados ao Sistema “S” (Sesc, Sesi, Sebrae e outros) conseguiu derrubar, em julho de 2007, uma emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias que permitiria a sua fiscalização. Não é nada, foram cerca de R$ 6 bilhões só em 2006.

São belas as falas esfuziantes do ministro em defesa do sigilo incondicional e sublimes os discursos diários de tantos em prol dos excluídos, mas nada é mais excludente que a sonegação de impostos, um crime cuja prática pode ser aferida em qualquer esquina, uma transgressão “politicamente correta” que usurpa anualmente centenas de bilhões de reais, dinheiro público.

Mas, a prevalecer o entendimento de que a garantia do sigilo bancário é absoluta, a lei nº 9613/98, que criou o Coaf e obriga as instituições financeiras a informarem ao Banco Central operações que considerem suspeitas – e quem é um gerente de banco para arbitrar o que é suspeito ou não? – e todas as demais acima de R$ 100 mil, um limite exageradamente alto, terá de ser revogada. (Continua na edição de amanhã).

Continue lendo

Pelo Estado – Operação Bolso Duplo 

 O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), em apoio à investigação conduzida pela Subprocuradoria-Geral para Assuntos Jurídicos do Ministério Público...

Adolescente fica ferido em acidente de moto em Laguna

FOTO CBMSC Divulgação Notisul TEMPO DE LEITURA: 2 minutos Um adolescente ficou ferido após um acidente de trânsito envolvendo uma motocicleta na noite desta segunda-feira (30),...

Bloqueio no Oriente Médio faz disparar preços de fertilizantes e grãos no mundo

O bloqueio do Estreito de Hormuz, que já dura quase cinco semanas em meio ao conflito no Oriente Médio, provocou uma forte alta nos...

Tubarão terá reajuste de 4,86% na tarifa de água a partir de maio

A Prefeitura de Tubarão sancionou, nesta segunda-feira (30), o decreto que estabelece o reajuste anual das tarifas de abastecimento de água e esgotamento sanitário...

Surf de Tubarão se destaca no Circuito Banco do Brasil em Imbituba

Atletas de Tubarão foram destaque no Circuito Banco do Brasil de Surfe, etapa que integra o calendário da World Surf League (WSL), realizada entre...

Remédios podem ter reajuste de até 3,81% a partir desta terça; entenda impacto

Os preços dos medicamentos vendidos no Brasil podem subir a partir desta terça-feira (31), com reajuste máximo de até 3,81%. O índice foi autorizado...

Capivari de Baixo recebe mais de R$ 18 milhões em investimentos do Estado

Capivari de Baixo celebrou seus 34 anos com o anúncio de mais de R$ 18 milhões em investimentos do Governo de Santa Catarina. Os...

Alesc debate uso de tecnologia por crianças e alerta para riscos à saúde mental

IMAGEM ALESC Divulgação Notisul TEMPO DE LEITURA: 4 minutos A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) promoveu, nesta segunda-feira (30), o debate “Entre telas e a...