Senhores vereadores de Tubarão!
Nesta comunicação, resguardar-me-ei simplesmente a discutir a possibilidade de redução salarial de vossas senhorias e a implicância positiva que isso poderia trazer à população. Portanto, não abordarei, neste texto, à presença ou não de ineficácia ou ineficiência no poder executivo.
Os senhores, enquanto vereadores – ou seja, integrantes do legislativo -, têm função acessória à prefeitura: legislam, votam, deliberam, autorizam, dispõem, criam, aprovam, delimitam e fiscalizam (de acordo com a Lei Orgânica do município de Tubarão).
Para que todo este processo aconteça, há de haver discussão, seja internamente, seja com o executivo, seja com a população; há de haver um entendimento, conquistado através do diálogo (este que, na minha visão, não tem sido frequentemente praticado pelos vereadores com parte dos tubaronenses. No entanto, informei previamente que este não seria o assunto a ser tratado).
Conforme citei anteriormente, as funções competentes aos senhores não são de caráter executivo, ou seja: não são os senhores que devem fazer obras, que devem fornecer medicamentos, que devem fornecer merenda escolar, que devem realizar diversas outras atividades.
Contudo, uma das atividades que os senhores devem realizar é a de zelar pelo nosso município, assim como todos devemos. E o zelo não deve acontecer somente com o patrimônio tangível, mas também com o patrimônio moral.
Ora, não seria mais economicamente coerente que os senhores reduzissem seus salários para que o poder executivo consiga fazer mais e melhores obras, fornecer mais e melhores medicamentos, fornecer mais abrangente e melhor alimentação escolar e realizar tantas outras atividades?
Em um cálculo simplificado e com os números anteriores ao reajuste, os senhores poderão dar um suporte ao executivo municipal de R$ 107.357,55 mensais [(R$ 8.450,79 – R$ 2.135,64) x 17]. Coloco desta forma, pois vivemos um momento – econômico e moral – complicado em nosso país: enfrentamos dificuldades financeiras, vemos diariamente manchetes com escândalos de corrupção com proporções nunca antes vistas, presenciamos agressões a cidadãos que defendem o partido A ou B.
Em resumo, vivemos, no mínimo, um momento de tensão. Portanto, não seria moralmente coerente uma redução dos salários dos senhores de forma a equipará-lo a tão digna e desvalorizada profissão de professor?
Sendo assim, solicito encarecidamente que os senhores reflitam sobre a possibilidade da redução de seus salários, que reflitam sobre a possibilidade de ajudar a nossa cidade a crescer de maneira mais efetiva do que vêm fazendo, que reflitam sobre os seus papéis como representantes da população e atendam, ou no mínimo discutam, o anseio de parte dela.
Por fim, como sabem, este é um ano eleitoral e, como já escrevi anteriormente, vivemos um momento de tensão. Em momentos de tensão, ficamos atentos, espertos, acompanhando os passos e antevendo situações. Por isso lembrem-se: a nossa memória também está alerta.