Zahyra Mattar
Tubarão
As cidades de Orleans, Urubici, Grão-Pará, Urussanga, Lauro Müller e Bom Jardim da Serra são palco da primeira websérie feita a partir de financiamento coletivo em Santa Catarina: Protocolo 43.
Na verdade, o projeto é pioneiro em tudo no estado. O tema é inédito, as locações, os atores, a forma como foi pensada e é executada. É mais uma amostra de como a pista cinematográfica começa a crescer por aqui.
O diferencial da série está na fotografia e também na originalidade da trama e do roteiro. “Abordamos os aspectos da quebra da sociedade como conhecemos, isso tudo associado à realidade brasileira”, destaca o diretor e roteirista do Protocolo 43, Áthila Mattei.
A proposta é ousada. Ao todo, serão 13 episódios com 40 minutos de muita ação, suspense, drama e ansiedade. “A grande proposta, o nosso principal objetivo, não é apenas produzir uma websérie, mas lançar a base cultural na região e a possibilidade de que futuramente outros projetos parecidos também saiam do papel”, acrescenta.
A produção é 100% independente e a verba – R$ 28 mil – foi exclusivamente captada por meio de uma vaquinha on-line.
O dinheiro levantado até aqui é inteiramente usado para locações e compra de materiais, equipamentos, computadores, drone e maquiagem.
“Conseguimos uma base, mas não é o suficiente para produzir os 13 episódios. No próximo ano, vamos retomar este trabalho de captação de recursos”, antecipa Áthila.
Ninguém da equipe, hoje composta por 12 pessoas, ganha nada. Todos atuam na raça e de graça mesmo. As gravações ocorrem somente aos fins de semana, pois todos trabalham e não dispõem de muito tempo livre.
Maquiagem
Um dos pontos que mais chama a atenção na websérie Protocolo 43 é a maquiagem. O trabalho é assinado pela expert no assunto Daniela Nagel. Há cinco anos, a maquiadora profissional deixou o emprego em um cartório de Orleans para se dedicar ao mundo das cores e dos pincéis!
O convite para participar da websérie Protocolo 43 foi inusitado, confessa. “Quatro horas de convencimento depois eu aceitei, mas com receio, porque nunca tinha feito este tipo de maquiagem, somente social, para casamentos e eventos. Mergulhei de cabeça. Aprendi a usar massa e a fazer sangue falso”, conta, aos risos.
Para deixar o zumbi pronto para gravar, são necessárias pelo menos duas horas de trabalho. O maior desafio, revela, é deixar o personagem o mais real possível. A inspiração vem de fotos verdadeiras de machucados e também nos filmes e seriados relacionados ao tema.
A dica para quem quer se aventurar neste mundo de pincéis e muita sujeira? Estudar, pesquisar, buscar especializações e colocar a mão na massa. “A prática, neste caso, é uma das melhores aliadas”, ensina a maquiadora.
Direção e roteiro
O diretor geral, roteirista e um dos editores da websérie tem apenas 29 anos. Áthila Kuhnen Mattei é formado em direito e começou a exercer a profissão este mês. O cinema é um hobby que pretende levar em paralelo com as leis até quando puder. Áthila é o único do grupo com alguma experiência. Atuou com edição por dez anos, antes de se graduar. Alguns de seus trabalhos como videomaker ganharam reconhecimento. Em 2010, foi vencedor de um concurso nacional de videoclipes promovido pela Sony Music.
A história
Um grupo de sobreviventes enfrenta um mundo devastado por um vírus. A origem desta doença é desconhecida. Ainda não se sabe as dimensões dos acontecimentos. No Brasil, mais precisamente na região da serra catarinense, algumas pessoas buscam proteção em locais isolados e fora das zonas urbanas, tomadas por zumbis. Com poucos mantimentos e sem quase nenhum recurso, o pequeno grupo tentará sobreviver um dia após o outro.
Na rede, da rede e para a rede
O primeiro episódio da saga está pronto. Neste momento, a equipe trabalha na pós produção. A previsão é que o piloto seja lançado, exclusivamente no Youtube, no dia 15 de novembro. O restante dos episódios será postado a partir do segundo semestre de 2016, a cada 15 dias, sempre aos domingos. Onde e quando começa a maratona catarinense de zumbis você fica sabendo somente pela rede. Acompanhe e participe: www.protocolo43.com.br.
Ficha técnica
Os criadores e a criatura
Nenhum dos idealizadores da websérie Protocolo 43 atua na área cinematográfica. Áthila e Nicola são advogados. Darlan atua no almoxarifado de uma empresa. A paixão pela sétima arte fez com que a ideia, lançada informalmente em 2012, enquanto eles assistiam a um filme, saísse do papel agora.
“Achamos que seria o máximo se tivesse um filme assim na nossa região, dentro da nossa realidade. Esbocei uma história e o que era para ser uma brincadeira tomou uma proporção que jamais poderíamos imaginar”, detalha Áthila.
Apesar de ter a temática zumbi, muito em alta nas produções hollywoodianas, Protocolo 43 afasta-se o máximo possível dos enlatados. “Tentamos fazer algo novo e surpreendente”, apimenta.
Apesar de ter a temática zumbi, muito em alta nas produções hollywoodianas, Protocolo 43 afasta-se o máximo possível dos enlatados. “Tentamos fazer algo novo e surpreendente”, apimenta.
