Zahyra Mattar
Imbituba
Indiciado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) por uma suposta compra de votos na convenção do PMDB de Imbituba, o vereador Thiago Machado também será investigado na câmara.
O requerimento para a abertura de uma Comissão Especial Processante (CEP), encaminhado pelo cidadão Rafael Martins, foi aprovado por unanimidade.
O vereador Dorlin Nunes Júnior (PSDB) presidirá o grupo. Os parlamentares Rogberto de Farias Pires (PPS) e Luiz Cláudio Carvalho de Souza (PMDB) ocuparão os cargos de vice-presidente e relator, respectivamente.
A comissão irá apurar a quebra de decoro parlamentar do vereador Thiago, por uma suposta tentativa de suborno a um membro do seu partido, na convenção do dia 15 do mês passado.
Várias pessoas devem ser chamadas para depor, inclusive o próprio vereador. O grupo tem até 90 dias para apresentar o relatório final. O documento será votado em plenário e, conforme a lei, divulgado ao público. Caso seja concluído que o vereador é culpado das acusações, ele poderá ter o mandato cassado.
Thiago Machado não comparece às sessões desde o dia 25 de junho, quando a denúncia no MPE veio à tona. Na segunda-feira da semana passada, ele apresentou um atestado médico para os próximos 15 dias.
Com isso, o vereador só volta à câmara em agosto, após o recesso deste mês do legislativo. De qualquer forma, segundo o presidente da comissão, o grupo seguirá com os trabalhos inclusive durante o período de férias.
Ontem, por telefone, o Notisul entrou em contato com o vereador, mas ele não atendeu e nem retornou as ligações.
As acusações no MPE
Conforme a denúncia feito junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) de Imbituba, no mês passado, o vereador Thiago Machado (PMDB) tentou subornar um membro do diretório do seu partido, em troca do voto, a seu favor, na convenção do dia 15.
Conforme consta, Thiago ofereceu dinheiro e um cargo público na câmara. O MPE também apura se há outras pessoas envolvidas, já que, diferente das prévias no partido, Thiago foi o indicado do PMDB à majoritária à prefeitura de Imbituba.
Ele é o vice-prefeito na coligação com o PSD, cujo candidato a prefeito é o ex-secretário regional em Laguna, Christiano Lopes de Oliveira.
No processo no MPE, também está anexado um documento escrito a mão (imagem ao lado), onde consta o valor de R$ 20 mil a ser pago pelo voto. No bilhete, é citado ainda um cargo na câmara de vereadores, com salário de R$ 1 mil.
Supostamente, o documento foi escrito pelo vereador do PMDB. A justiça pediu a investigação da Polícia Federal e um exame grafotécnico para confirmar se a letra é mesmo do candidato.
Caso a denúncia se confirme, o MPE poderá pedir desde a impugnação da candidatura de Thiago (ou até mesmo a dele e a do companheiro de coligação, Christiano Lopes) até a cassação de seu mandato.
Fotos: Câmara de vereadores de Imbituba/Divulgação/Notisul

