quarta-feira, 30 setembro , 2026

Taxa de rejeição familiar para doação de órgãos é de 25% em Santa Catarina

Três vezes na mesa de cirurgia. Esse foi o drama vivido por Bruna Louise Jeske, de 25 anos, moradora da cidade catarinense de Gravatal. Há 10 anos, ela foi diagnosticada com Doença de Wilson, uma enfermidade que faz um acúmulo tóxico de cobre nos tecidos, principalmente no cérebro e fígado. Ao fazer uma endoscopia o problema foi detectado.

A jovem foi encaminhada para a cidade de Blumenau, onde passou por uma cirurgia de transplante de fígado. Durante cinco anos, o organismo dela reagiu bem ao procedimento. Mas, após esse período, ela começou a apresentar rejeição ao novo órgão.  Ela conseguiu reverter a rejeição, mas no ano passado, novas complicações surgiram e um novo transplante foi necessário. 

Ela recebeu um novo fígado, mas, no dia seguinte, uma nova rejeição ocorreu. Pela terceira vez, Bruna fez um transplante, passou por uma recuperação bem lenta e há um ano vive bem, após o último procedimento cirúrgico.

Com toda essa experiência vivida, Bruna percebeu, na prática, o quanto a doação de órgãos é importante. Por meio desse gesto ela continua viva e agradece às famílias que disseram sim à doação dos órgãos dos entes falecidos. 

“A doação de órgãos na minha vida foi muito importante, porque se não fosse o gesto de uma pessoa em um momento tão difícil, que é perder um ente querido, de dizer ‘sim’, eu já não estaria viva há dez anos. Já teria morrido. É uma situação muito difícil para a pessoa que acabou de perder um ente querido, dizer sim para a doação. Dizendo sim, ela pode salvar até oito pessoas que estão ali, lutando diariamente para conseguir arrumar um ânimo e viver melhor.”

O coordenador da central de transplantes do estado de Santa Catarina, Joel de Andrade, revela que, apesar de problemas como o tempo de espera dos pacientes por um novo órgão, o estado teve, por 12 vezes, nos últimos 15 anos, a maior taxa de doação do país. 

Mas nem sempre foi assim. O coordenador conta que já houve registros de taxas que chegaram a 70% de rejeição familiar para a proposta de doação, o que foi revertido com o trabalho de comunicação e conscientização das famílias. A queda foi brusca e hoje a taxa de recusa familiar é de aproximadamente 25%.

Mas ainda há o que melhorar. Ele destaca que a rede de saúde precisa ser treinada a identificar possíveis doadores, sendo este um dos principais desafios do estado.

“(O maior problema) São os escapes. O que são os escapes? Tecnicamente é quando uma morte cerebral ocorre em um hospital e ela não é notificada para a central de transplantes. É a não identificação de um potencial doador. No ano passado, nós ainda registramos 45 escapes, o que poderia ter elevado nossa taxa de doação para dois ou três doadores por milhão de população. Esse é um problema ativo, e a solução se concentra em treinar cada vez mais os profissionais de saúde.”

Em Santa Catarina, quem quiser saber mais sobre o transplante de órgãos pode acessar o site sctransplantes.saude.sc.gov.br ou ligar para o telefone 0800 643 7474. O número fica disponível 24 horas para atendimento ao público.

Para que a quantidade de transplantes aumente no país, um dos caminhos é informar a sua família sobre o desejo de ser um doador de órgãos. A doação é um ato nobre. A vida continua. Doe órgãos. Converse com sua família. Para mais informações sobre o processo de doação e outras dúvidas, acesse: saude.gov.br/doacaodeorgaos.

 

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