FOTOS Shaiane Corrêa Divulgação Notisul
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A tinta base água deixou de ser apenas uma tendência e passou a integrar o planejamento estratégico de empresas que atuam na impressão de embalagens flexíveis e buscam soluções mais sustentáveis. Dados do Relatório do Mercado de Impressão Flexográfica, da Mordor Intelligence, apontam que, por tipo de tinta, as formulações à base de água já representavam mais de 40% do mercado em 2024, com projeção de crescimento contínuo nos próximos anos.
O avanço dessa tecnologia é impulsionado por uma combinação de exigências ambientais, metas corporativas de sustentabilidade e preocupação crescente com a saúde ocupacional. Um dos principais diferenciais é a redução de mais de 90% na emissão de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs), substâncias associadas à poluição atmosférica, impactos ambientais e riscos à saúde dos trabalhadores.
Segurança e conformidade ambiental
Além dos ganhos ambientais, a tinta base água também se destaca pela segurança operacional. Diferentemente das tintas à base de solvente, ela se enquadra como líquido não inflamável, conforme a ABNT NBR 14725 (Sistema GHS), por possuir elevado ponto de fulgor. Esse fator reduz riscos no transporte, armazenamento e manuseio, além de facilitar o atendimento a normas de segurança e auditorias.
Redução de custos operacionais
Segundo Daniela Zilli, responsável pelo setor de Pesquisa e Desenvolvimento do laboratório de base água da Cyan Tintas e Vernizes, a adoção da tecnologia também gera impacto positivo nos custos operacionais. 
“A eliminação do uso de solventes gera economia direta no custo do material impresso, além de reduzir gastos com armazenamento, transporte, controle ambiental e segurança. As tintas base água apresentam menor variação de secagem e viscosidade durante a impressão, o que reduz ajustes frequentes e facilita o controle operacional”, explica.
Setores que lideram a adoção
A migração para tintas base água é mais intensa em segmentos com grande volume de embalagens e exigências rigorosas de controle produtivo, como alimentos e bebidas, higiene e cuidados pessoais, limpeza e farmacêutico. Nesses mercados, a tecnologia contribui tanto para o cumprimento de metas de sustentabilidade quanto para a melhoria das condições de trabalho, além de atender padrões internos e auditorias de fornecedores.
Mitos técnicos sobre a tinta base água
Apesar do crescimento, alguns mitos ainda cercam a tecnologia. Um deles é a ideia de que a tinta base água seca mais lentamente e exige redução da velocidade das máquinas.
“Quando o sistema de secagem é bem dimensionado, é possível rodar sem perda de produtividade, com velocidades comparáveis às dos sistemas solventes”, esclarece Daniela.
Outro ponto recorrente é o risco de entupimento de anilox. Segundo a coordenadora, embora a tinta base água tenha menor resolubilidade, o problema pode ser evitado com rotinas adequadas de limpeza, manutenção e paradas controladas.
Pesquisa e desenvolvimento como estratégia
Atenta à mudança do mercado, a Cyan direcionou investimentos em pesquisa e desenvolvimento ainda em 2019, focando em tintas base água aplicáveis a substratos plásticos, tecnologia que à época ainda tinha baixa adesão no setor. A empresa designou um profissional dedicado exclusivamente ao desenvolvimento técnico da linha W-INK Flex.
Atualmente, a indústria estima que mais de 90% dos clientes que imprimem sacolas e utilizavam tintas solventes migraram definitivamente para a tinta base água após testes com a tecnologia da Cyan. Como reflexo da alta demanda, a empresa inaugura, nos próximos meses, uma nova planta industrial dedicada exclusivamente à linha Base Água, ampliando a capacidade de desenvolvimento e qualificação para diferentes substratos.
Inovação e sustentabilidade
Para o diretor executivo da Cyan, Mauricio Silverio, a inovação está na essência da empresa.
“Nossa indústria nasceu há 25 anos com a proposta de inovar e reduzir o desperdício de matéria-prima. Sustentabilidade e pioneirismo fazem parte do DNA da Cyan. Ao nos mantermos atualizados e sempre inovando, fortalecemos nossa atuação e abrimos novos mercados”, afirma.