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Todos os professores voltam ao trabalho

Professores optaram por suspender o movimento, ontem, mas manter o estado de greve por 120 dias
Professores optaram por suspender o movimento, ontem, mas manter o estado de greve por 120 dias

Zahyra Mattar

Tubarão
 
Após 62 dias de paralisação, os trabalhadores em educação do estado decidiram retornar às salas de aula. Os mais de quatro mil professores que compareceram à assembleia estadual realizada ontem, em Florianópolis, aprovaram ainda o indicativo de greve pelos próximos 120 dias.
 
“Neste período, vamos buscar a retomada de negociação com o governo, a fim de discutir a pauta de reivindicação do magistério”, resume a coordenadora estadual do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte), Alvete Bedin.
Os professores exigem a realização do concurso para ingresso no magistério em até 12 meses, abono das faltas das greves entre  2007 e este ano, revisão do decreto 3593/2010, que trata da progressão funcional, revisão da Lei 456/2009 (Lei dos ACTs) e reajuste do valor do vale-alimentação.
 
Na região de Tubarão, o percentual de professores em greve desde a semana passada era de apenas 11%, conforme dados da secretaria estadual de educação. O Sinte não fez a contagem nos últimos dias.
“Voltaremos ao trabalho, mas a luta continua. Neste período, mostramos nossa força. Conquistamos o direito legal de receber o piso. Nunca vamos desistir de fazer valer este direito”, valoriza Alvete.
 
A assembleia estadual deliberou também que as escolas deverão ter autonomia para a elaboração do calendário de reposição das aulas, a fim de evitar prejuízo do conteúdo escolar ao aluno. Por ora, fica válido o calendário formulado pelo estado: aulas de segunda-feira a sábado, inclusive nos feriados, até 30 de dezembro.
 
PLC 26: Ponticelli explica ganhos salariais
Desde a semana passada, quando o Projeto de Lei Complementar 26 foi aprovado no legislativo, a maioria dos deputados não faz outra coisa senão dar explicações a respeito de seu voto. Em Tubarão, os 43 diretores de escolas públicas estaduais na abrangência da secretaria de desenvolvimento regional participaram de uma reunião com o gestor, Haroldo Silva (PSDB), o Dura, e o deputado Joares Ponticelli (PP), cujo voto foi pela aprovação da matéria.
 
Professor concursado, Ponticelli foi extremamente criticado, especialmente em Tubarão, seu reduto eleitoral. O objetivo do encontro, ocorrido na gerência de educação, foi explicar os ganhos salariais da categoria com a aprovação do PLC 26.
Conforme Ponticelli, simulações realizadas pela secretaria estadual da educação apontam que os professores poderão ter ganhos de até 43% já no salário referente ao mês passado.
 
“A tabela da educação é muito complexa, e é importante registrar que a atual foi montada para que cumpríssemos a lei do piso”, completou o secretário-adjunto de educação, Eduardo Deschamps.
Contudo, a lei não atende a principal reivindicação dos professores – e o único motivo para terem entrado em greve: a aplicação do piso, hoje de R$ 1.187,97, na carreira. Para ficar dentro da lei, o estado passou a pagar o previsto, mas promoveu um achatamento na tabela e ainda a redução das regências, que são direitos adquiridos dos professores.
 
O ganho de 43%, na verdade, é possível por conta deste achatamento. Não se trata de ganho real, pois, quando se aposenta, estes bônus não são contabilizados. Por isso a reivindicação do piso na carreira.
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