Fotos: Redação/Notisul
Dois filhotes de toninha, espécie de pequeno cetáceo ameaçada de extinção, foram encontrados mortos no sábado (31) e no domingo (1º de fevereiro de 2026) nas praias do Gi e do Sol, em Laguna, no Sul de Santa Catarina. Os casos integram uma sequência de registros recentes de encalhes de mamíferos marinhos no litoral da região.
O exemplar localizado na Praia do Sol era um filhote macho, com cerca de 80 centímetros de comprimento, quando adulto, o animal pode alcançar até 2 metros de comprimento. Segundo os técnicos responsáveis pelo monitoramento das praias, o animal morreu afogado após ficar preso em uma rede de pesca. O corpo foi recolhido e encaminhado para necropsia, procedimento que vai confirmar oficialmente a causa da morte.
Na véspera, uma fêmea de tamanho semelhante havia sido encontrada na Praia do Gi, também já sem vida.
Oito registros em uma semana
De acordo com informações repassadas à reportagem do Notisul, oito toninhas foram recolhidas em apenas uma semana no trecho entre os Molhes de Laguna e a região de Imbituba. Todos os atendimentos são feitos por equipes acionadas pelos salva-vidas, que comunicam as ONGs e órgãos ambientais responsáveis.

Os técnicos reforçam que os casos não têm relação com a pesca artesanal cooperativa realizada com os botos em Laguna, patrimônio histórico regional.
Toninha é espécie ameaçada
A toninha (Pontoporia blainvillei), também conhecida como boto, é um dos cetáceos mais ameaçados do Atlântico Sul. Pequena, costeira e discreta, a espécie é altamente vulnerável à captura acidental em redes de pesca, principal causa de mortalidade registrada.
Por esse motivo, cada novo encalhe acende um alerta para pesquisadores e órgãos ambientais.
Diferença entre toninha e botos pesqueiros
Especialistas destacam que os animais encontrados não pertencem ao grupo dos botos-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) que participam da tradicional pesca cooperativa em Laguna.
A pesca com botos é uma prática única no mundo, na qual os animais ajudam pescadores a localizar cardumes, especialmente de tainha, sinalizando o momento exato para o lançamento das redes. Em troca, os botos se alimentam dos peixes que escapam, criando uma relação de cooperação espontânea.
Laguna abriga cerca de 50 a 60 botos em seu sistema estuarino, dos quais aproximadamente 40% cooperam ativamente com pescadores. A prática é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Santa Catarina e tornou a cidade conhecida nacionalmente como a “Capital dos Botos Pesqueiros”.
O monitoramento dessa população é feito há mais de 16 anos por instituições como a UDESC e a UFSC. Atualmente, há ainda um processo em consulta pública no IPHAN para o reconhecimento nacional dessa tradição.
Orientação à população
Em casos de animais marinhos encalhados, a orientação é não tocar, não tentar devolver ao mar e acionar imediatamente os salva-vidas ou órgãos ambientais. O manejo inadequado pode colocar pessoas em risco e comprometer a investigação das causas da morte.
Monitoramento e recolhimento dos animais
O recolhimento dos animais marinhos encalhados no litoral da região é realizado pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), iniciativa federal obrigatória ligada ao licenciamento ambiental da Petrobras, sob responsabilidade do IBAMA.

O projeto monitora diariamente mais de 1.500 quilômetros de praias, de Laguna (SC) até o Rio de Janeiro (RJ), atuando no resgate de animais vivos, recolhimento de animais mortos, realização de necropsias e investigação das causas de mortalidade, como captura acidental em redes de pesca.
Em Laguna, o PMP-BS atua desde 2015, com patrulhas diárias em áreas como os Molhes da Barra e praias do Sol e do Gi.
Em caso de encalhe de animais marinhos, o acionamento deve ser feito pelo telefone 0800 642 3341.

