quarta-feira, 24 junho , 2026

Mais de um terço dos trabalhadores do país recebe até um salário mínimo, diz IBGE

Mais de um terço dos trabalhadores brasileiros — 35,3% — recebe até um salário mínimo, segundo dados preliminares do Censo Demográfico de 2022, divulgados nesta quinta-feira (9) pelo IBGE.

O levantamento mostra que apenas 7,6% das pessoas ocupadas ganham acima de cinco salários mínimos (R$ 6.060 em 2022), o que reforça a forte concentração de renda no país.

Apesar de representar uma leve melhora em relação ao Censo de 2010 — quando o percentual de quem recebia até um salário mínimo era de 36,4% —, os dados ainda evidenciam grandes desigualdades por gênero, cor e região.

Renda concentrada e desigual

A faixa de renda mais comum entre os trabalhadores é a de mais de um até dois salários mínimos, abrangendo 32,7% da população ocupada.

No topo da pirâmide, apenas 0,7% dos trabalhadores brasileiros recebem mais de 20 salários mínimos, o equivalente a R$ 24.240 mensais.

O rendimento nominal médio mensal no Brasil é de R$ 2.851, mas há fortes variações regionais.

Desigualdade regional

As regiões Norte e Nordeste registram os menores rendimentos do país — R$ 2.238 e R$ 2.015, respectivamente — equivalentes a menos de 80% da média nacional.

Na outra ponta, o Centro-Oeste lidera com R$ 3.292, seguido pelo Sul (R$ 3.190) e Sudeste (R$ 3.154).

Entre os estados, os maiores rendimentos são do Distrito Federal (R$ 4.715), São Paulo (R$ 3.460) e Santa Catarina (R$ 3.391). Já os menores foram registrados no Maranhão (R$ 1.855), Piauí (R$ 1.905) e Bahia (R$ 1.944).

Gênero, cor e raça

O Censo também mostra as desigualdades estruturais no mercado de trabalho brasileiro.

  • Homens têm rendimento médio de R$ 3.115, 24,3% maior do que o das mulheres (R$ 2.506).

  • Pessoas amarelas (R$ 5.942) e brancas (R$ 3.659) ganham acima da média nacional (R$ 2.851).

  • Pardos (R$ 2.186), pretos (R$ 2.061) e indígenas (R$ 1.683) ficam abaixo.

Essas disparidades se mantêm em todos os níveis de escolaridade.

Índice de Gini

O Índice de Gini, que mede a desigualdade na distribuição de renda, ficou em 0,542 em 2022 — valor considerado alto.

  • Sul tem a renda mais equilibrada (0,476);

  • Norte (0,545) e Nordeste (0,541), as maiores desigualdades.

Quanto mais próximo de 1, maior a concentração de renda.

Nível de ocupação

O nível de ocupação das pessoas com 14 anos ou mais é de 53,5%, queda em relação a 2010 (55,5%).

Os maiores índices estão no Sul (60,3%), Centro-Oeste (59,7%) e Sudeste (56%).
Os menores, no Nordeste (45,6%) e Norte (48,4%).

Por estado, Santa Catarina lidera com 63,5%, seguida por Distrito Federal (60,4%), Mato Grosso e Paraná (60,3%).

O que os números revelam

Os dados do Censo 2022 reforçam que, apesar de avanços pontuais desde 2010, a desigualdade de renda e oportunidades ainda é uma marca profunda do mercado de trabalho brasileiro — com impactos diretos sobre o acesso à educação, moradia e serviços públicos.

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