O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escalou neste domingo (5) o tom de suas declarações sobre a Groenlândia, ao afirmar que o país “precisa” do território por razões de segurança nacional e ao estabelecer um prazo de cerca de dois meses para que a questão seja resolvida.
A declaração foi feita a repórteres a bordo do Air Force One, poucos dias após uma operação militar dos EUA na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. A sequência dos acontecimentos aumentou o temor, entre aliados europeus, de que a Groenlândia possa se tornar o próximo foco da política externa americana.
Reação dura da Dinamarca
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, fez a crítica mais contundente até agora às falas de Trump. Segundo ela, “não faz absolutamente nenhum sentido falar sobre a necessidade de os Estados Unidos tomarem a Groenlândia”.
De acordo com a agência Bloomberg, Frederiksen alertou que um ataque dos EUA contra um aliado da OTAN poderia representar o fim da própria aliança militar. “Os Estados Unidos não têm o direito de anexar nenhuma das três nações do Reino da Dinamarca”, afirmou, pedindo que Washington “pare com as ameaças contra um aliado historicamente próximo”.
Apoio nórdico e europeu
Horas após as declarações de Trump, líderes dos países nórdicos manifestaram apoio público à Dinamarca. O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, afirmou que apenas a Dinamarca e a Groenlândia podem decidir sobre o futuro do território. Já o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, declarou “total solidariedade”, reforçando que a Groenlândia é parte integrante do Reino dinamarquês.
Posições semelhantes foram adotadas pelo presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e pela primeira-ministra da Islândia, Kristrún Frostadóttir.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, também se alinhou aos europeus. Em entrevista à BBC, disse apoiar Frederiksen e destacou que somente a Groenlândia e a Dinamarca têm legitimidade para decidir sobre o território.
Provocações e cronograma anunciado
Trump afirmou que os Estados Unidos devem “se preocupar com a Groenlândia em cerca de dois meses” e que o tema será tratado mais diretamente em aproximadamente 20 dias. O presidente também ironizou os esforços de defesa da Dinamarca, dizendo que o país “adicionou mais um trenó puxado por cães” para proteger a região.
Segundo Trump, “a União Europeia precisa que os EUA tenham a Groenlândia”, declaração que foi rebatida por autoridades europeias, que reafirmaram o compromisso do bloco com a soberania nacional e a integridade territorial dos países-membros.
A escalada diplomática também incluiu uma publicação nas redes sociais de Katie Miller, esposa do subchefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, que mostrava a Groenlândia pintada com as cores da bandeira dos EUA e a palavra “em breve”.
Reação da Groenlândia
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, reagiu de forma direta às declarações americanas. “Já chega agora. Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação”, afirmou.
O embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos também se manifestou, dizendo que Copenhague espera “respeito total à integridade territorial” do Reino dinamarquês.

